A Nova Fronteira da Guerra da Informação: Vídeos de Lego Gerados por IA no Conflito entre EUA, Israel e Irã

A guerra da informação acompanha os conflitos humanos desde seus primórdios, evoluindo conforme as tecnologias disponíveis. Atualmente, com o avanço da inteligência artificial (IA), uma nova etapa desse processo se manifesta, especialmente no conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã em 2025 e 2026. Vídeos gerados por IA, como os virais vídeos de Lego produzidos pelo Irã, ilustram essa transformação radical na forma como a informação é manipulada para fins bélicos.
Histórico da Guerra da Informação
Desde a antiguidade, a propaganda, a desinformação e as operações psicológicas foram usadas para influenciar adversários e enfraquecer a moral. Por exemplo, no século XIII, os mongóis destruíam cidades inteiras para espalhar o medo e forçar rendições antes mesmo da chegada das tropas.

Com o progresso tecnológico, novas ferramentas surgiram: durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Golfo de 1991, panfletos eram lançados por aviões para disseminar rumores e propaganda. Na Guerra do Vietnã, programas de rádio em inglês, como os apresentados por Hanoi Hannah, buscavam desmoralizar tropas americanas.
Mais recentemente, a guerra do Golfo de 1991 ficou conhecida como “Guerra da CNN” por ser o primeiro conflito transmitido em ciclo contínuo de notícias, moldando a percepção pública por meio de imagens e informações frequentemente alinhadas aos interesses nacionais.
Da TV para as Redes Sociais: A Era da Propaganda Viral
O conflito entre EUA, Israel e Irã em 2025-2026 marca a transição para uma nova era, que poderíamos chamar de “Guerra do TikTok” e a primeira grande guerra marcada pelo uso intensivo de IA. A tecnologia permite a criação e disseminação de mídia sintética, vídeos fabricados que simulam eventos reais ou criam narrativas inteiramente fictícias.
Um exemplo emblemático são os vídeos de Lego produzidos por IA pelo Irã, que viralizaram mundialmente. Esses vídeos satirizam líderes como Donald Trump e Benjamin Netanyahu, associando-os a conspirações fictícias e deidades pagãs, e ganharam grande repercussão como memética propagandística, apesar de não terem qualquer relação com a fabricante dos brinquedos.
O Impacto das Deepfakes e a Perda da Confiança
Além dos vídeos satíricos, as deepfakes – vídeos realistas porém totalmente fabricados – complicam ainda mais o cenário. Durante o conflito, foram amplamente compartilhados vídeos falsos mostrando ataques militares devastadores, destruição de aeronaves e pedidos falsos de cessar-fogo por autoridades israelenses.
Esses conteúdos, muitas vezes difíceis de serem detectados, alimentam o fenômeno conhecido como “truth decay” (deterioração da verdade), onde a credibilidade das informações legítimas é minada pela proliferação de falsificações, criando um ambiente de desconfiança generalizada.
Consequências Práticas e Desafios Atuais
Essa nova dinâmica da guerra da informação, impulsionada pela IA, transcende fronteiras geográficas e limitações técnicas anteriores. Vídeos e mensagens podem ser produzidos e consumidos globalmente, criando uma diplomacia pública digital descentralizada e viral.
O desafio para governos, agências de notícias e o público em geral é desenvolver ferramentas e estratégias para identificar e combater a desinformação gerada por IA, preservando a confiança nas informações e evitando a manipulação em larga escala.