Amazon Investiga e Ameaça Demitir Funcionários que Defenderam Regulamentação de Data Centers em Seattle


Três engenheiros de software da Amazon acusam a empresa de retaliação após testemunharem em audiências do Conselho Municipal de Seattle a favor da regulamentação de data centers. Os funcionários dizem que a Amazon abriu investigações internas que podem levar à demissão — violando uma lei municipal que proíbe discriminação por posicionamento político.
No dia 10 de junho — uma semana após a audiência e um dia depois que o Conselho aprovou uma moratória histórica para data centers — Patrick Schloesser, Darius Irani e Liesl Wigand foram chamados para reuniões de emergência com o RH da Amazon. Representantes de "Relações com Funcionários" disseram que a empresa estava investigando os três, com possíveis medidas disciplinares que incluem demissão.
"Eu não vou aceitar uma realidade em que a Amazon ou qualquer corporação possa me silenciar no exercício dos meus direitos", disse Schloesser ao The Verge. "Não vamos voltar para a linha."
AECJ e a luta por data centers sustentáveis
Os cinco funcionários que testemunharam — incluindo Schloesser, Irani e Wigand — são membros do Amazon Employees for Climate Justice (AECJ), grupo de funcionários dedicados à crise climática. No ano passado, o grupo publicou uma carta aberta assinada por mais de mil funcionários pedindo que a Amazon alimentasse seus data centers com energia 100% renovável.
Schloesser relatou que a reunião com o RH foi "arrepiante": o representante perguntou detalhes sobre seu depoimento no Conselho e citou a política de comunicações corporativas da Amazon, que proíbe atuar como porta-voz sem aprovação prévia. Mas Schloesser se identificou apenas pelo cargo e associação ao AECJ, nunca como representante oficial da Amazon.
Irani contou que se sentiu "abalado e inseguro" após a reunião. "Tudo que eu fiz foi compartilhar minha opinião de que IA e data centers deveriam ser regulamentados", afirmou.
Cenário nacional de tensão
A controvérsia em Seattle reflete uma tensão nacional. Nos últimos meses, a construção massiva de data centers gerou protestos em todo o país — por consumo de água, poluição sonora, aumento das tarifas de energia elétrica e impacto ambiental.
Pouco antes da moratória, quatro empresas desconhecidas haviam protocolado propostas para cinco data centers de grande escala em Seattle. Juntos, eles consumiriam o equivalente a um terço da eletricidade média diária da cidade — dez vezes mais que todos os data centers atuais.
Na quinta-feira, os três engenheiros protocolaram uma queixa formal no Escritório de Direitos Civis de Seattle, pedindo investigação sobre discriminação trabalhista pela Amazon. Abby Lawlor, advogada do AECJ, destacou que Seattle é uma das poucas jurisdições nos EUA que proíbe discriminação de funcionários por crenças políticas — exatamente o que a Amazon estaria violando.
"Trabalhadores de tecnologia precisam poder falar e agir de acordo com suas convicções para que CEOs não possam atropelar todos nós para conseguir o que querem", declarou Eliza Pan, porta-voz do AECJ. "A Amazon não pode intimidar seus funcionários — e todos nós deveríamos nos preocupar se eles conseguirem."



