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Austrália enfrenta onda de desinformação climática impulsionada por inteligência artificial e redes sociais

25 de março de 2026
01:52
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Austrália enfrenta onda de desinformação climática impulsionada por inteligência artificial e redes sociais

A Austrália está sendo inundada por uma crescente onda de desinformação e informações falsas relacionadas às mudanças climáticas e à energia, conforme revela uma investigação do Senado australiano. A disseminação desses conteúdos enganosos, amplificada pelo uso de inteligência artificial (IA) e a propagação nas redes sociais, representa um obstáculo significativo para as ações de combate às mudanças climáticas e ameaça a saúde democrática do país.

O impacto da desinformação na democracia e no debate climático

Segundo o relatório da comissão parlamentar, a desinformação — definida como a divulgação intencional de informações falsas para influenciar a opinião pública — e a desinformação não intencional, ambas presentes no debate público, prejudicam o funcionamento democrático. Cerca de 74% dos australianos demonstram preocupação com esse fenômeno, que compromete a relação entre a opinião popular, o comportamento eleitoral e as decisões políticas.

Imagem relacionada ao artigo de The Conversation AI
Imagem de apoio da materia original.

Exemplos reveladores de desinformação na Austrália

A investigação do Senado analisou 247 contribuições escritas e 11 dias de audiências públicas, revelando casos emblemáticos de desinformação. Campanhas contra parques eólicos offshore, por exemplo, espalharam informações falsas alegando que as turbinas matam baleias e bloqueiam o nascer do sol — afirmações sem qualquer embasamento.

Outro caso envolveu um projeto de bateria comunitária de 500 kWh em Narrabri, Nova Gales do Sul. Inicialmente apoiado pelo conselho local, o projeto foi barrado após uma campanha no Facebook que disseminou rumores infundados sobre riscos de explosões e incêndios, além de supostos impactos na segurança da cidade.

Além disso, sobreviventes dos incêndios florestais conhecidos como Black Summer em 2019 relataram que a desinformação gerou divisões em suas comunidades e conflitos familiares, agravando o sofrimento causado pelos eventos climáticos extremos.

Quem financia e propaga a desinformação?

O professor Christian Downie, da Australian National University, destacou que um complexo sistema de organizações, incluindo empresas de gás e carvão, associações comerciais, think tanks e agências de relações públicas, atua para retardar ou impedir políticas climáticas eficazes. Um exemplo citado é o grupo "Australians for Natural Gas", apresentado como um movimento de base favorável ao gás, mas criado por executivos do setor com suporte de firmas de comunicação.

Enquanto nos Estados Unidos o gasto em atividades políticas relacionadas a esta agenda ultrapassa US$ 3,4 bilhões entre 2008 e 2018, na Austrália a falta de transparência dificulta o rastreamento do financiamento dessas campanhas, já que muitos participantes da investigação recusaram-se a revelar suas fontes.

O papel da inteligência artificial e das redes sociais

A investigação revelou que a inteligência artificial é usada não apenas para criar conteúdos falsos, mas também para gerar respostas automáticas a questionamentos, como no caso do grupo Rainforest Reserves Australia (RRA), que apresentou submissões ao Senado contendo dados e referências acadêmicas inexistentes. Quando confrontado, o grupo admitiu que parte do texto foi produzida com auxílio de IA.

Redes sociais como Facebook, Instagram e TikTok priorizam algoritmos de engajamento em detrimento da veracidade, criando bolhas de informação que reforçam crenças pré-existentes e amplificam conteúdos enganosos. A empresa Meta, responsável por Facebook e Instagram, admitiu gastar mais com lobby do que com verificação de fatos na Austrália.

Medidas recomendadas para conter a desinformação climática

O relatório da comissão do Senado apresenta uma série de recomendações para enfrentar o problema, entre elas:

  • Maior transparência sobre doações políticas e atividades de lobby;
  • Fortalecimento da educação midiática para a população;
  • Financiamento de programas independentes para monitorar a disseminação de desinformação nas plataformas digitais;
  • Investimento em mídias independentes;
  • Proibição de doações de indústrias de combustíveis fósseis;
  • Legislação para garantir a veracidade na propaganda política;
  • Poderes legais para obrigar plataformas de redes sociais a remover conteúdos falsos e bots envolvidos em campanhas coordenadas contra a ação climática.

Os senadores alertam para a urgência dessas medidas antes das próximas eleições, destacando que a integridade da democracia australiana está em jogo.

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