Campanha Oculta Financiada por OpenAI e Palantir Usa Influenciadores para Alertar Sobre Ameaça da IA Chinesa

Uma campanha de influência financiada por um super PAC ligado a executivos da OpenAI e Andreessen Horowitz tem investido em redes sociais para promover a indústria americana de inteligência artificial (IA) e, simultaneamente, fomentar receios sobre o avanço tecnológico da China. O grupo Build American AI, uma organização sem fins lucrativos associada ao super PAC Leading the Future, é o principal financiador dessa iniciativa.
Contexto e Motivação da Campanha
A campanha ocorre em um momento crítico, com a inteligência artificial se tornando tema central nas eleições intermediárias dos EUA em 2026 e atraindo atenção sobre temas como segurança nacional, inovação e emprego. O super PAC Leading the Future reúne figuras influentes do setor tecnológico, incluindo Greg Brockman (presidente da OpenAI), Joe Lonsdale (cofundador da Palantir), e a firma de capital de risco Andreessen Horowitz.

Com um fundo de US$ 140 milhões, dos quais US$ 51 milhões estão disponíveis para atividades, o grupo busca posicionar os EUA como líderes globais em IA, ao mesmo tempo em que promove uma narrativa de ameaça representada pela China, incentivando investimentos e políticas públicas favoráveis ao setor nacional.
Estratégia de Influência nas Redes Sociais
A campanha foi estruturada em duas fases principais:
- Promoção Positiva da IA Americana: Nesta etapa inicial, influenciadores de estilo de vida, como Melissa Strahle e Megan Linke, publicaram conteúdos destacando os benefícios da IA para a organização pessoal e a inovação nos EUA, sem revelar claramente o financiamento por trás dos posts.
- Foco na Ameaça Chinesa: Atualmente, a campanha se concentra em influenciadores no TikTok e outras plataformas, oferecendo até US$ 5 mil por vídeo para que promovam mensagens que associam o avanço da IA chinesa a riscos à segurança e empregos americanos. O objetivo é moldar o debate público para enxergar a China como um adversário tecnológico perigoso.
Exemplos de roteiros fornecidos aos criadores incluem frases como: "Se a China vencer na corrida da IA, poderá acessar dados pessoais meus e dos meus filhos, além de tomar empregos que deveriam ficar nos EUA".

Repercussão e Controvérsias
Apesar do apoio declarado de grandes nomes do setor, OpenAI e Palantir negam qualquer contribuição direta para Leading the Future ou Build American AI. A iniciativa, porém, levanta questões sobre transparência, já que muitos influenciadores não revelam claramente a origem dos pagamentos, configurando um cenário de dark money (financiamento oculto).
Especialistas em mídia criticam a prática, apontando que a falta de divulgação adequada sobre o patrocínio pode distorcer a percepção pública e prejudicar a democracia ao disseminar propaganda sem o devido contexto. O professor Jamie Cohen, da Queens College, destaca que a divulgação parcial dos interesses por trás das mensagens configura propaganda disfarçada.
Impactos para o Mercado e Estratégias Futuras
O movimento representa uma tentativa clara de usar o marketing de influência para moldar políticas públicas e a opinião pública em favor do setor de IA americano, ao mesmo tempo em que justifica a necessidade de investimentos robustos e regulações que favoreçam as empresas locais. Essa abordagem pode influenciar decisões legislativas, investimentos e até o ritmo de desenvolvimento tecnológico.
Além das redes sociais, Build American AI também investe em anúncios na plataforma X (antigo Twitter), reforçando mensagens que conectam liderança em IA à segurança nacional.