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CEO da Superhuman se pronuncia sobre polêmica do uso não autorizado de nomes em recurso de IA

23 de março de 2026
13:31
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CEO da Superhuman se pronuncia sobre polêmica do uso não autorizado de nomes em recurso de IA

Em entrevista ao Decoder, Nilay Patel, editor-chefe do The Verge, confrontou Shishir Mehrotra, CEO da Superhuman — empresa que anteriormente era conhecida como Grammarly e que mantém este produto como carro-chefe — sobre a controvérsia envolvendo o recurso Expert Review, que utilizava nomes de especialistas, jornalistas e personalidades sem autorização para gerar sugestões de escrita baseadas em IA.

Superhuman: expansão e foco em IA integrada

Shishir Mehrotra explicou que a mudança do nome da empresa de Grammarly para Superhuman reflete o crescimento do escopo da companhia, que hoje engloba não só o assistente de escrita Grammarly, mas também o espaço de documentos Coda e o cliente de e-mail Mail. O lançamento recente do Superhuman Go amplia a ideia de assistência por IA, permitindo que agentes inteligentes operem diretamente nos ambientes de trabalho dos usuários, como Gmail, Google Docs, Slack, entre outros, sem exigir mudanças comportamentais significativas.

Imagem relacionada ao artigo de The Verge AI
Imagem de apoio da materia original.

O que motivou o recurso Expert Review e o erro cometido

O recurso Expert Review, lançado em agosto do ano passado, oferecia sugestões de escrita baseadas em modelos de IA que simulavam “especialistas” — entre eles o próprio Nilay Patel e jornalistas como Casey Newton e Julia Angwin. A utilização dos nomes dessas pessoas sem consentimento gerou indignação e uma ação coletiva liderada por Angwin. Em resposta, a Superhuman primeiro ofereceu uma opção de exclusão via e-mail e posteriormente desativou completamente a funcionalidade.

Mehrotra reconheceu que a funcionalidade foi um erro e pediu desculpas. Ele afirmou que o recurso era pouco utilizado e mal alinhado à estratégia da empresa, sendo removido antes mesmo da ação judicial. O CEO destacou que o objetivo inicial era criar uma experiência de IA que pudesse atuar como um assistente pessoal, trazendo conselhos de especialistas que os usuários admirassem, mas que a execução falhou tanto para os usuários quanto para os especialistas envolvidos.

Decisões internas e processo de desenvolvimento

Questionado sobre o processo decisório que levou ao lançamento da função sem autorização, Mehrotra explicou que a decisão partiu de uma pequena equipe, envolvendo um gerente de produto e alguns engenheiros, e que a questão do uso não autorizado dos nomes não foi antecipada como um problema grave. Ele ressaltou que a empresa mantém um rigoroso processo para evitar o pensamento de grupo, com práticas como o método "Dory and Pulse" para coletar opiniões diversas.

Distinção entre atribuição e personificação na IA

Um ponto central da conversa foi a distinção feita por Mehrotra entre atribuição e personificação. Ele defende que a utilização do nome de especialistas para atribuir a inspiração do conteúdo é legítima e desejável, desde que fique claro que o texto é inspirado e não uma imitação da pessoa. Já a personificação, segundo ele, implicaria em tentar replicar a identidade ou a voz real do especialista, o que a Superhuman afirma não ter feito.

O futuro da IA e a relação com criadores de conteúdo

Mehrotra afirmou que a empresa pretende aprimorar a forma como especialistas participam da plataforma, buscando um modelo mais colaborativo e respeitoso. Ele reconheceu as dificuldades enfrentadas por criadores de conteúdo na era da IA, especialmente em relação à conexão contínua com seus públicos diante da automação e do uso de seus trabalhos por ferramentas inteligentes.

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