Claude Mythos: o novo modelo da Anthropic que supera hackers humanos e assusta o sistema financeiro global

Nas últimas semanas, o mundo da inteligência artificial entrou em polvorosa após alegações da Anthropic sobre seu novo modelo, Claude Mythos. A empresa afirma que a ferramenta supera humanos em tarefas de hacking e segurança cibernética — o que levou reguladores, parlamentares e instituições financeiras a discutirem os perigos que ela poderia representar para serviços digitais.
O modelo foi apresentado como "Mythos Preview" no início de abril de 2026 e desde então tem provocado reações que vão do pânico ao ceticismo. O tema chegou a ser discutido em reunião do FMI em Washington envolvendo autoridades financeiras internacionais.
O que o Mythos é capaz de fazer?
Pesquisadores que testam modelos de IA em tarefas de segurança — conhecidos como "red teams" — classificaram o Mythos como "incrivelmente capaz em tarefas de segurança de computadores". O modelo conseguiu:
- Localizar bugs inativos escondidos em códigos com décadas de existência e explorá-los com facilidade
- Encontrar milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo falhas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web
- Identificar uma vulnerabilidade que permaneceu em um sistema por 27 anos e sugerir maneiras de explorá-la — com pouca supervisão humana
Project Glasswing: acesso controlado
Em vez de disponibilizar o Mythos amplamente, a Anthropic concedeu acesso a apenas 12 empresas de tecnologia por meio do Project Glasswing, descrito como "um esforço para proteger sistemas essenciais de software". Entre os parceiros estão:
- Amazon Web Services (computação em nuvem)
- Apple, Microsoft e Google (fabricantes de dispositivos e sistemas operacionais)
- Nvidia e Broadcom (fabricantes de chips)
- CrowdStrike (cibersegurança — a mesma empresa cuja atualização defeituosa causou o apagão global de julho de 2024)
Nesta semana, a Anthropic anunciou que vai estender o acesso para outras 150 instituições em setores como energia, água, saúde, comunicações e equipamentos. Ao todo, mais de 40 organizações responsáveis por softwares críticos já têm acesso ao modelo.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou em vídeo que a empresa se ofereceu para trabalhar com o governo dos EUA para "ajudar a se defender contra o risco desses modelos".
Medo no sistema financeiro global
O impacto do Mythos no setor financeiro é real. O ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne, disse à BBC que o modelo foi discutido em reunião do FMI em abril:
"Certamente é sério o suficiente para merecer a atenção de todos os ministros das Finanças."
O diretor do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, também se manifestou: "Temos de analisar com muito cuidado agora o que esse desenvolvimento recente da IA pode significar para o risco de crime cibernético."
A União Europeia está em discussões com a Anthropic e recebeu acesso ao Mythos em maio. O Instituto de Segurança em IA do Reino Unido concluiu que, embora seja um modelo poderoso, sua maior ameaça seria contra sistemas mal protegidos. "Onde há boas práticas de cibersegurança, esse modelo, em teoria, seria contido", disseram os pesquisadores.
O que dizem os especialistas
Ciaran Martin, ex-chefe do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, afirmou que a alegação de que o Mythos descobre vulnerabilidades muito mais rápido que outros modelos de IA "realmente abalou as pessoas". "Mesmo com vulnerabilidades existentes que conhecemos, ele é simplesmente um hacker muito bom."
A hacker ética italiana Valentina Palmiotti (Chompie), participante de torneios internacionais de hacking, disse à BBC que seus dias de competição podem estar contados devido à ascensão de ferramentas como o Mythos.
Mas nem todos estão convencidos. Muitos analistas independentes ainda não puderam testar o modelo e permanecem céticos. É do interesse da Anthropic sugerir que possui uma ferramenta com habilidades nunca antes vistas — e o histórico do setor mostra que o exagero é uma estratégia de marketing recorrente.
O que fazer agora?
O National Cyber Security Centre britânico recomenda não entrar em pânico e focar no básico: corrigir a segurança cibernética fundamental. A maioria dos hackers não precisa de superinteligência artificial para violar sistemas — ataques muito mais simples geralmente são suficientes.
Martin oferece uma visão equilibrada: "Para alguns, esse é um evento apocalíptico; para outros, parece muito exagero. Mas no médio prazo, há uma oportunidade de usar essas ferramentas para corrigir muitas das vulnerabilidades subjacentes da internet."
Acesso não autorizado
No final de abril, a Anthropic anunciou que está investigando uma denúncia de acesso não autorizado ao Mythos por meio de um ambiente de fornecedores terceirizados. A Bloomberg revelou que usuários em um fórum privado conseguiram acessar o modelo sem as permissões necessárias — um lembrete de que mesmo o acesso controlado não é infalível.
Fonte: BBC News Brasil — Reportagem original em inglês, traduzida com IA e revisada por jornalista da BBC.