Como aliviar a insegurança no emprego em tempos de incerteza: estratégias comprovadas

Apesar da taxa de desemprego na Austrália estar atualmente em 4,3%, abaixo da média histórica do último século, a insegurança no emprego tem alcançado níveis preocupantes. Uma pesquisa recente realizada com 3.600 australianos, durante as primeiras semanas da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, apontou que 26,8% das pessoas acreditam que podem perder seus empregos. Esse índice não era visto desde os lockdowns da COVID-19 em 2020, quando o desemprego chegou a 6,4%.
O impacto da insegurança no emprego na saúde e no ambiente de trabalho
A insegurança no emprego afeta significativamente a saúde mental e física dos trabalhadores. Meta-análises indicam que essa condição aumenta a insatisfação no trabalho, reduz o comprometimento com a organização e prejudica o desempenho profissional. Além disso, há evidências de que a insegurança pode fomentar o bullying no ambiente de trabalho, pois trabalhadores inseguros tendem a reagir de forma agressiva, enquanto vítimas de bullying se sentem ainda mais inseguras.
Um estudo australiano que acompanhou 1.046 pessoas por quase uma década revelou que a insegurança prolongada pode até alterar traços de personalidade, tornando os indivíduos menos estáveis emocionalmente, menos cooperativos e menos conscienciosos.
Cinco estratégias para transformar o medo em ação
Em momentos de insegurança, é comum recorrer a estratégias pouco saudáveis, como o consumo excessivo de álcool ou a ruminação — o pensamento repetitivo e improdutivo sobre preocupações. No entanto, existem métodos baseados em evidências que ajudam a lidar melhor com o estresse:
- Planejamento ativo da carreira: Tomar iniciativas para desenvolver habilidades e dialogar com supervisores ajuda a reduzir a sensação de insegurança, mesmo em contratos temporários.
- Buscar apoio social: Apoiar-se em familiares, amigos, colegas e líderes é eficaz para diminuir o estresse relacionado ao trabalho, conforme demonstrado por uma meta-análise com dados de 39 países.
- Construir uma rede de mentores informais: Diferente dos programas formais, mentores escolhidos espontaneamente podem oferecer orientações valiosas em diferentes áreas, como habilidades digitais e planejamento de carreira.
- Desenvolver habilidades demandadas: Identificar lacunas, especialmente em competências digitais e inteligência artificial, e buscar cursos online gratuitos ou acessíveis em plataformas como EdX e Coursera pode aumentar a empregabilidade.
- Valorizar uma vida além do trabalho: Participar de papéis sociais como família, voluntariado ou amizades fortalece a autoestima e o bem-estar, reduzindo o impacto negativo da insegurança no emprego.
O papel dos empregadores e do governo na redução da insegurança
Não cabe apenas ao indivíduo enfrentar a insegurança no emprego. Organizações e governos têm responsabilidades importantes:
- Capacitação no ambiente de trabalho: Com o avanço da inteligência artificial (IA), muitos trabalhadores utilizam essa tecnologia sem diretrizes claras. Investir em treinamentos e estabelecer políticas transparentes sobre o uso de IA pode reter talentos e diminuir a ansiedade.
- Investimento público em treinamento e assistência social: Países como Dinamarca e Suécia apresentam menor insegurança laboral graças a políticas robustas de requalificação profissional e benefícios generosos. Na Austrália, pagamentos do JobSeeker ainda estão abaixo da linha da pobreza, evidenciando a necessidade de melhorias.
Embora a estabilidade no emprego seja cada vez mais rara, a adoção dessas estratégias pode ajudar trabalhadores, empresas e governos a enfrentar a insegurança de forma mais eficaz, promovendo saúde, produtividade e resiliência.