Como IA e Agentes Inteligentes Estão Revolucionando Modelos de Negócio: O Caso da Carta

Transformação de Serviços em Produtos com IA
A empresa Carta, especializada em gestão de equity, ilustra de forma prática como a inteligência artificial (IA) e agentes inteligentes podem impulsionar e remodelar modelos de negócios tradicionais. Inicialmente focada na digitalização de certificados de ações em papel, a empresa evoluiu para uma plataforma robusta de capital privado, com receita anual próxima a US$ 600 milhões, apoiando-se em uma estratégia renovada e alimentada por IA.
Segundo Vrushali Paunikar, diretora de produtos da Carta, a abordagem da companhia é iniciar com um negócio baseado em serviços, transformá-lo em software e dominar o mercado para, então, repetir o ciclo. A incorporação crescente de tecnologias de IA e agentes inteligentes intensificou significativamente os resultados dessa metodologia.

Contexto do Mercado e Desafio das Empresas
O movimento de transformação digital via IA representa uma oportunidade única para empresas que desejam converter negócios baseados em serviços tradicionais em produtos digitais inteligentes. Entretanto, muitas organizações ainda estão na fase de experimentação, buscando entender como integrar a IA de forma eficaz em seus processos internos.
Paunikar recomenda que as empresas comecem com problemas específicos e delimitados para experimentar o uso de agentes inteligentes. A Carta, por exemplo, utilizou a ferramenta Claude, da Anthropic, desenvolvendo interfaces de linha de comando, plugins e habilidades para aprender sobre o comportamento dos agentes, acelerando assim sua curva de aprendizado.
Importância da Experimentação Direcionada e Envolvimento Executivo
David Treat, CTO global da Pearson, enfatiza que a experimentação prática é essencial para executivos entenderem o potencial da IA. O envolvimento direto do C-level com as ferramentas de IA é um diferencial para o sucesso da implementação.
Por outro lado, Ali Alkhafaji, CEO da Apply Digital, alerta para a necessidade de não apenas adicionar automação de IA como uma camada extra, mas sim reimaginar processos e cargas de trabalho para aproveitar verdadeiramente o potencial transformador da IA.

Já Masha Sharma, vice-presidente de experiência do comerciante na Groupon, destaca o risco de sobrecarga e ansiedade causada pela tentativa de abraçar todas as novidades de IA simultaneamente, recomendando uma postura mais ágil e focada na prototipagem rápida das soluções mais promissoras.
Gestão de Riscos e Falhas na Jornada com IA
A adoção de IA e agentes inteligentes não elimina o risco de falhas. Paunikar compartilhou que a Carta enfrentou experimentos desastrosos, especialmente em manipulações diretas, e que sua política atual limita o acesso dos agentes apenas a workflows com validações rigorosas de integridade dos dados.
Alkhafaji acrescenta que, diante da imprevisibilidade dos incidentes relacionados a IA, é fundamental que as empresas estabeleçam princípios e diretrizes para tomada de decisão em tempo real, preparando-se para eventuais crises que possam impactar a confiança do mercado.
O Papel Insubstituível do Fator Humano
Para mitigar riscos e manter a confiança, Deepak Shrivastava, CEO da Sunrise AI, defende a manutenção do "human in the loop" — o envolvimento humano no processo decisório e operacional com agentes de IA. A confiança humana é, segundo ele, o elemento-chave para garantir segurança e aceitação, especialmente em operações financeiras e de compra.
Além disso, Sharma ressalta que, com a padronização das respostas geradas por IA, a diferenciação das empresas dependerá cada vez mais da personalização e do toque humano na experiência do cliente, tornando a interação humana um diferencial competitivo.