Voltar para o blog
Notícias de IA

Como o Irã superou a Casa Branca na guerra da propaganda com IA e memes

11 de abril de 2026
11:08
deepfakeIrãInteligência Artificialmemes políticospropaganda digitalguerra da informaçãoblackout de internetmídia estatalconflitos geopolíticosdisputa narrativa
Como o Irã superou a Casa Branca na guerra da propaganda com IA e memes

Contexto do conflito e a batalha pela narrativa digital

Nos primeiros dias da guerra entre Estados Unidos e Irã, a Casa Branca apostava em memes de Call of Duty e vídeos gerados por IA com pinos de boliche dançantes para comunicar sua versão dos fatos. Enquanto isso, a mídia estatal iraniana inundava as redes com imagens reais e impactantes: explosões sobre Teerã, fumaça no céu, vítimas civis e ataques a escolas. Essa estratégia expôs o contraste entre a superficialidade da comunicação americana e a crueza da narrativa iraniana.

O blackout de internet e o controle da informação

Antes dos ataques, o regime iraniano enfrentava protestos internos e havia imposto o maior apagão de internet da história do país para bloquear a divulgação das manifestações. Quando dissidentes conseguiam furar o bloqueio, o regime desqualificava as imagens como "IA slop" – uma expressão pejorativa para conteúdos gerados ou manipulados por inteligência artificial –, mesmo admitindo a repressão violenta que matou milhares. Após o ataque surpresa dos EUA e Israel em 28 de fevereiro, que resultou em milhares de mortos, incluindo civis, o Irã retomou o blackout, mas com uma exceção: uma internet seletiva para quem pudesse amplificar sua mensagem anti-guerra.

Imagem relacionada ao artigo de The Verge AI
Imagem de apoio da materia original.

A virada: o fenômeno dos vídeos de Lego gerados por IA

Surpreendentemente, a propaganda iraniana adotou um estilo surrealista com vídeos de miniaturas de Lego vestidas de soldados, aviões e helicópteros queimando em desertos digitais gerados por IA. Esses vídeos traziam referências a Jeffrey Epstein, meninas iranianas mortas e cenas de guerra, criando um conteúdo que viralizou internacionalmente e ressoou com um público global. Embora não confirmada a ligação direta do governo, a produção desses vídeos dentro do Irã indica acesso privilegiado à internet e apoio indireto do regime.

Estrutura de produção e apoio estatal

Segundo análises, o líder supremo Ali Khamenei investiu recursos e talento para fortalecer a produção digital estatal nos últimos 15 anos. Pequenos estúdios, financiados pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e outras entidades militares, produzem conteúdos rápidos, irreverentes e focados na internet, que antes eram rejeitados por serem pouco "sérios". A guerra foi a oportunidade para essa nova geração de produtores digitais se destacar e influenciar a opinião pública global.

Impacto e repercussão internacional

Enquanto a Casa Branca continuava com uma comunicação baseada em memes e conteúdos superficiais, a estratégia iraniana de misturar verdades cruas com conteúdo de "IA slop" conseguiu captar a atenção e gerar solidariedade internacional, inclusive em países da América Latina e África. A narrativa do Irã como representante dos oprimidos e da maioria global encontrou um terreno fértil em um público cansado da hegemonia americana.

O papel da verdade e da desinformação na guerra digital

Apesar do uso de deepfakes e imagens manipuladas, a verdade sobre os ataques, especialmente o bombardeio da escola em Minab, com centenas de vítimas, tornou-se o maior trunfo da propaganda iraniana. Vídeos autênticos de luto e destruição circularam, enquanto o Irã denunciava as tentativas de seus inimigos de criar uma "névoa de IA" para semear dúvidas. Essa dinâmica reforça a complexidade da comunicação em conflitos modernos, onde a linha entre verdade e desinformação é cada vez mais tênue.

Links úteis para aprofundamento

Este episódio revela como a inteligência artificial e a cultura de memes podem ser armas poderosas na disputa pela narrativa em conflitos geopolíticos, impactando a percepção global e influenciando negociações diplomáticas.