Voltar para o blog
Notícias de IA

Como um Estudante Usou IA para Criar Influenciadora MAGA e Lucrar nas Redes Sociais

21 de abril de 2026
08:20
Google Geminiredes sociaismarketing digitalinfluenciadores virtuaisFanvueconteúdo gerado por IAInteligência ArtificialMAGApolítica digital
Como um Estudante Usou IA para Criar Influenciadora MAGA e Lucrar nas Redes Sociais

O Surgimento da Influenciadora Virtual MAGA

Sam, um estudante de medicina de 22 anos do norte da Índia, encontrou uma forma inusitada de ganhar dinheiro extra durante seus estudos: a criação de uma influenciadora virtual conservadora, gerada por inteligência artificial. Utilizando ferramentas generativas como o Google Gemini Nano Banana Pro, ele desenvolveu "Emily Hart", uma enfermeira fictícia e visualmente inspirada na atriz Jennifer Lawrence, que rapidamente conquistou milhares de seguidores nas redes sociais.

Estratégia e Nicho de Mercado

Após perceber que fotos genéricas de mulheres atraentes não se destacavam no Instagram, Sam consultou o chatbot Gemini para identificar um nicho menos saturado e com maior potencial de engajamento. A resposta foi o nicho conservador, especificamente o público MAGA (Make America Great Again), que, segundo o chatbot, é composto por seguidores mais fiéis e com maior renda disponível, especialmente homens mais velhos nos EUA.

Imagem relacionada ao artigo de Wired AI
Imagem de apoio da materia original.

Com isso, Sam criou conteúdos que reforçavam valores conservadores — como apoio ao cristianismo, ao direito de portar armas e posições anti-aborto e anti-imigração — combinados com fotos da personagem em situações típicas, como pescaria no gelo, consumo de cerveja Coors Light e tiro ao alvo. As legendas carregavam mensagens provocativas e polarizadoras, o que ajudou a impulsionar o alcance orgânico do perfil.

Monetização e Plataformas Utilizadas

O sucesso do perfil @emily_hart.nurse no Instagram levou a uma monetização diversificada. Embora o Instagram não permitisse que Sam lucrasse diretamente com o perfil, ele conseguiu gerar receita por meio de:

  • Assinaturas na plataforma Fanvue, concorrente do OnlyFans, que permite conteúdos gerados por IA e exige menos rigor na autenticação;
  • Venda de camisetas temáticas com slogans políticos;
  • Conteúdos exclusivos, incluindo fotos e vídeos de "Emily" em trajes de banho, gerados com o auxílio de outra IA chamada Grok AI.

Segundo Sam, ele chegou a ganhar alguns milhares de dólares por mês dedicando apenas 30 a 50 minutos diários ao projeto, o que representava uma renda muito superior ao que obteria em empregos convencionais na Índia.

O Impacto da IA na Credibilidade e Engajamento

A criação de perfis falsos com conteúdo político polarizador não é novidade, mas a inteligência artificial elevou o nível de realismo e persuasão dessas contas. Conforme destaca Valerie Wirtschafter, pesquisadora da Brookings Institution, a IA tornou esses perfis mais convincentes, amplificando sua presença e influência nas redes sociais.

Imagem relacionada ao artigo de Wired AI
Imagem de apoio da materia original.

O algoritmo das plataformas favorece conteúdos controversos, o que fez com que o perfil de Emily "explodisse" em visualizações, chegando a 10 milhões de views em vídeos curtos. A polarização reforça o engajamento, pois mesmo os opositores interagem, alimentando a viralização.

Desafios Éticos e Regras das Plataformas

Apesar das políticas de algumas redes sociais que exigem a identificação de conteúdos gerados por IA, a fiscalização ainda é precária. O perfil de Emily não indicava que era artificial e foi banido do Instagram por atividade fraudulenta apenas após dois meses. No entanto, sua conta no Facebook permaneceu ativa por mais tempo.

Plataformas como o OnlyFans têm regras mais rigorosas para autenticação e uso de IA, o que levou criadores a migrarem para alternativas como Fanvue, que flexibilizam essas normas.

Considerações Finais e Futuro do Fenômeno

Sam afirma que não se considera um golpista, já que entregava conteúdo que agradava seu público e gerava lucro. Contudo, ele já deixou a atividade para focar nos estudos.

O caso evidencia como a inteligência artificial pode ser usada para criar influenciadores virtuais altamente segmentados, explorando nichos políticos e culturais para gerar engajamento e monetização. Essa tendência levanta questões sobre autenticidade, manipulação digital e os limites da regulamentação nas redes sociais.

Links úteis