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Criadora da atriz digital Tilly Norwood recebe ameaças de morte após polêmica com IA em Hollywood

26 de março de 2026
09:03
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Criadora da atriz digital Tilly Norwood recebe ameaças de morte após polêmica com IA em Hollywood

Eline van der Velden, responsável pela criação da atriz digital Tilly Norwood, afirmou ter recebido ameaças de morte após a repercussão negativa global do projeto. Desenvolvida para provocar debate sobre o impacto da inteligência artificial no entretenimento, a iniciativa gerou reação intensa, especialmente em Hollywood, onde agentes de talentos demonstraram interesse em contratar a personagem virtual.

Reação da indústria e críticas de atores e sindicatos

Quando Van der Velden anunciou que talent agents estavam interessados em assinar contratos com Tilly Norwood, a notícia causou revolta imediata entre atores e sindicatos. Figuras como Melissa Barrera, Mara Wilson e Ralph Ineson manifestaram publicamente sua desaprovação, assim como organizações representativas do setor, como a SAG-AFTRA e a Equity.

Em um podcast, a atriz Emily Blunt resumiu a apreensão do meio artístico: “Good lord, we’re screwed.” ("Meu Deus, estamos ferrados.")

Objetivo artístico e reação inesperada

Em entrevista ao The Guardian, Van der Velden explicou que seu intuito era justamente provocar reflexões e discussões sobre a transformação causada pela IA na arte e no mercado de atuação. Embora esperasse alguma resistência, ela se disse surpreendida pela intensidade do ódio e das ameaças recebidas.

“As ameaças de morte e o ódio... minha nossa, muitas. Ainda continuam, mas em menor escala agora. Eu entendo totalmente a reação. Eu criei a Tilly para representar o medo – e para simbolizar essa mudança provocada pela IA como uma obra de arte, de certa forma. Era o espírito do tempo.”

Tilly Norwood: um avatar com vida própria

Tilly Norwood estreou no outono passado em um curta de comédia chamado AI Commissioner e possui perfis ativos nas redes sociais, como o Instagram, onde acumula 141 mil seguidores. A personagem é controlada por Van der Velden via captura de movimento, que permite interpretar diferentes papéis sem os custos e limitações comuns aos atores humanos, como cirurgias plásticas ou maquiagem.

Segundo a criadora, Tilly pode ser vista como uma “gêmea digital” que oferece uma forma de liberdade artística e evita o peso da fama para o ator por trás da avatar. “Para alguns atores, isso pode ser uma bênção”, afirmou Van der Velden.

Uso da IA na criação e futuros projetos

A personagem foi criada com ferramentas públicas de IA, sem treinamento específico em dados particulares. A criadora destacou que, apesar da opacidade das bases de dados utilizadas, ela vê a tecnologia como uma oportunidade para construir sobre o legado humano e expandir as possibilidades criativas.

Atualmente, Tilly Norwood participa de um videoclipe musical com letras geradas por chatbot de IA e está sendo desenvolvida para protagonizar uma micro série, recusando propostas para substituir atores reais em produções tradicionais.

Reflexões sobre a transformação da indústria

O caso de Tilly Norwood acende o debate sobre o futuro da atuação e da arte diante da inteligência artificial. Enquanto parte do setor teme a substituição do talento humano, outros enxergam novas formas de expressão e oportunidades para profissionais que desejam manter privacidade ou fugir da exposição pública.

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