Criadora do ‘Good Advice Cupcake’ critica uso de IA em série animada da Amazon sem seu consentimento

Uma polêmica envolvendo direitos autorais, inteligência artificial e grandes empresas do entretenimento ganhou destaque recentemente. Loryn Brantz, autora e ilustradora responsável pela criação do personagem Good Advice Cupcake, manifestou indignação após a Amazon anunciar uma série animada baseada em sua criação, produzida com ferramentas de IA, sem sua autorização.
Origem do personagem e parceria com BuzzFeed
O Good Advice Cupcake, conhecido como Cuppy, foi criado por Loryn Brantz em 2017, inicialmente como uma proposta para um livro infantil. Após a recusa de uma editora da Disney, Brantz levou a personagem para suas publicações nas redes sociais, onde rapidamente viralizou. O cupcake, que combina aparência fofa com conselhos motivacionais e humor ácido, refletia a personalidade otimista e enérgica da autora.

Em 2014, Brantz começou a trabalhar para o BuzzFeed, onde Cuppy foi transformado em uma websérie animada com oito episódios lançados até 2019, abordando temas como “conselhos para sua vida bagunçada” e “conselhos para sair do armário”. Na época, a tecnologia de inteligência artificial ainda não estava presente no processo criativo.
Licenciamento para Amazon e uso de IA
Recentemente, o BuzzFeed licenciou os direitos da personagem para a Amazon Prime Video, que desenvolve uma nova série intitulada Cupcake & Friends. Este projeto faz parte do GenAI Creators’ Fund, iniciativa conjunta da Amazon Web Services e Amazon MGM Studios para incentivar produções animadas com o uso de IA generativa.
Segundo Brantz, ela não foi consultada sobre o uso da IA na produção da série e não concordou com a transformação de sua personagem em uma “marionete sem alma” gerada por inteligência artificial. Ela acusa BuzzFeed e Amazon de desrespeitarem acordos anteriores, que garantiam sua participação criativa caso a personagem fosse retomada.

Posicionamentos oficiais e controvérsias
Em resposta, um porta-voz do BuzzFeed afirmou que a empresa detém os direitos intelectuais do personagem e está animada para revitalizar a série com o uso de novas tecnologias, trabalhando com uma equipe criativa talentosa. Jonah Peretti, presidente da BuzzFeed AI e ex-CEO da empresa, declarou que a criatividade humana continuará no centro do projeto, com a IA atuando apenas como ferramenta auxiliar.
No entanto, Brantz contesta a comparação da IA com tecnologias tradicionais de animação, como a Xerox, e afirma que a empresa foi vaga sobre o papel exato da IA no processo. Ela também revelou que recusou assinar um acordo de confidencialidade para obter detalhes do projeto, e que só tomou conhecimento oficial da produção após vazamentos e rumores.
Impacto na indústria criativa e repercussão
O caso de Brantz reflete um dilema crescente na indústria do entretenimento: a utilização de inteligência artificial para criar conteúdos originais, muitas vezes sem o consentimento ou envolvimento dos criadores originais. A situação levanta questões sobre direitos autorais, ética e o futuro do trabalho artístico diante da automação.
Fãs da artista apoiaram sua posição, elogiando sua coragem em denunciar o que consideram um ataque aos direitos dos artistas. Brantz também sinalizou que está avaliando medidas legais, embora esteja cautelosa quanto às chances de sucesso.