Depoimento de Mira Murati revela bastidores da saída de Sam Altman da OpenAI

Contexto da saída de Sam Altman
Na semana que antecedeu o Dia de Ação de Graças de 2023, a indústria de inteligência artificial viveu um dos seus momentos mais surpreendentes e turbulentos. Sam Altman, então CEO da OpenAI, foi abruptamente destituído do cargo. A justificativa oficial apresentada pelo conselho da empresa foi que Altman "não foi consistentemente transparente em suas comunicações com o conselho".
Mira Murati e seu papel central nos eventos
A ex-CTO da OpenAI, Mira Murati, tornou-se figura-chave para entender os acontecimentos daquele fim de semana. Seu depoimento e documentos apresentados no julgamento Musk vs Altman trouxeram à tona detalhes inéditos sobre a crise interna na OpenAI.

Murati não apenas foi apontada como uma das principais responsáveis por iniciar as conversas internas que culminaram na destituição de Altman, mas também forneceu ao cofundador Ilya Sutskever evidências e relatos que embasaram um relatório de 52 páginas entregue ao conselho.
Principais acusações contra Altman
- Padrão de desonestidade e omissões em relação a processos de segurança na OpenAI;
- Falta de transparência sobre sua participação acionária no fundo de startups da OpenAI;
- Lançamento de ferramentas e recursos, como o ChatGPT, sem pleno alinhamento com o conselho;
- Resistência à supervisão do conselho e manipulação dos processos gerenciais.
Sequência dos acontecimentos e reações
Em 16 de novembro de 2023, quatro membros do conselho da OpenAI — Helen Toner, Ilya Sutskever, Adam D’Angelo e Tasha McCauley — assinaram unanimemente a demissão de Altman, nomeando Mira Murati como CEO interina. No entanto, Murati rapidamente passou a apoiar publicamente a reintegração de Altman.
Durante as 78 mensagens de texto trocadas entre Murati e Altman entre domingo e segunda-feira, ficou claro o impasse e a tensão: Murati revelou que o conselho estava convicto em manter Altman fora da empresa e que já havia escolhido um novo CEO, que viria a ser Emmett Shear, sem o apoio da equipe interna.
Murati e Satya Nadella, CEO da Microsoft, também trocaram mensagens, com Nadella demonstrando apoio a Altman e disposto a contratar os funcionários da OpenAI para uma nova subsidiária da Microsoft, caso a crise não fosse resolvida.
Reação dos funcionários e influência de Murati
Mais de 750 funcionários da OpenAI assinaram uma carta ao conselho ameaçando deixar a empresa e migrar para a Microsoft, caso Altman não fosse reintegrado. Murati foi a primeira signatária dessa carta, mesmo tendo participado da decisão inicial que levou à saída de Altman.
Helen Toner, ex-membro do conselho, destacou em seu depoimento que Murati não compreendeu plenamente o papel central que desempenhou no processo de destituição. Ela teria adotado uma postura passiva e pouco comunicativa com sua equipe sobre o impacto de suas conversas com o conselho.
Críticas internas de Murati a Altman
Documentos de 2022 revelam que Murati já havia expressado críticas à gestão de Altman, apontando problemas como:
- Ambiente de trabalho marcado por "pânico constante" e mudanças frequentes de prioridades;
- Desalinhamento entre Altman e a equipe executiva sobre a importância do time de IA aplicada;
- Foco excessivo em metas financeiras, como gerar US$ 100 milhões em receita, independentemente dos métodos;
- Falta de comunicação direta entre Altman e Murati, gerando oportunidades perdidas para resolver problemas.
Murati afirmou em seu depoimento que suas preocupações eram estritamente relacionadas à gestão e que esperava que Altman liderasse com mais clareza, sem minar sua capacidade de trabalho.
Consequências práticas para a OpenAI
O episódio expôs fragilidades na governança da OpenAI e evidenciou tensões internas sobre a direção da empresa e o controle sobre o desenvolvimento da inteligência artificial avançada (AGI). A rápida substituição do conselho e o retorno de Altman indicam um esforço para restaurar a estabilidade e confiança da equipe e parceiros, como a Microsoft.