DOJ defende xAI como 'vital' para segurança nacional em processo da NAACP

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) interveio nesta segunda-feira em um processo movido pela NAACP contra a xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, argumentando que a companhia é "vital" para a segurança nacional americana — e que forçar a paralisação de suas turbinas a gás colocaria em risco operações militares, incluindo ataques recentes contra o Irã.
O processo da NAACP
A NAACP entrou com a ação em abril, alegando que a xAI está operando turbinas a gás natural sem as devidas licenças ambientais no local do seu segundo data center, chamado Colossus 2, em Southaven, Mississippi. Segundo a organização, a queima de gás sem permissão viola o Clean Air Act (Lei do Ar Limpo) e coloca em risco a saúde pública de comunidades que já sofrem com uma pesada carga de poluição.
Em maio, a NAACP solicitou uma liminar para interromper imediatamente a operação das turbinas, citando "aumento dos riscos de ataques de asma e doenças cardíacas" na região.
A defesa do DOJ: segurança nacional em jogo
No memorando apresentado ao tribunal, o DOJ argumenta que existem apenas quatro modelos de inteligência artificial — incluindo o Grok da xAI — que "suportam operações de missão crítica em redes classificadas como Secret e Top Secret".
Uma declaração de Cameron Stanley, diretor de inteligência artificial e digital do Departamento de Defesa, detalha como os militares americanos dependem do modelo Grok Gov para "apoiar missões vitais de segurança nacional". Isso inclui o uso do modelo como parte de ataques recentes contra o Irã.
Segundo Stanley, forçar a xAI a desligar as turbinas do Colossus 2 "ameaça diretamente os interesses contínuos de segurança nacional".
A escalada das turbinas
O processo original da NAACP identificou 27 turbinas operando sem licença em Southaven. Mas e-mails entre a xAI e reguladores estaduais, obtidos pelo Southern Environmental Law Center (SELC), mostram que até meados de maio esse número já havia saltado para 57 turbinas — muitas delas adicionadas após o início do processo.
Com esse crescimento, o SELC calcula que o local teve:
- Aumento de 111% nas emissões de óxido de nitrogênio
- Aumento de 83% nas emissões de material particulado PM2.5
- Aumento de 88% nas emissões de formaldeído
Contexto: o histórico da xAI em Memphis
A xAI já havia virado notícia nacional em 2024, quando moradores do sudoeste de Memphis denunciaram que a empresa começou a operar turbinas sem licença em seu primeiro data center. A região de Memphis tem uma das taxas de asma mais altas dos Estados Unidos.
Agências estaduais do Tennessee e Mississippi sustentam que a empresa tem um ano para operar as turbinas sem as licenças de ar limpo — uma interpretação que a NAACP contesta, argumentando que não está de acordo com as regulamentações da Agência de Proteção Ambiental (EPA).
Um dilema entre segurança e meio ambiente
O caso coloca em rota de colisão dois interesses poderosos: de um lado, a urgência ambiental e de saúde pública em comunidades historicamente sobrecarregadas por poluição; do outro, a dependência do aparato militar americano da infraestrutura de IA da xAI.
A xAI e o DOJ não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da imprensa.