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Estados Unidos e Califórnia Usam Poder de Compra para Definir Regras de IA

20 de abril de 2026
10:25
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Estados Unidos e Califórnia Usam Poder de Compra para Definir Regras de IA

Ausência de Regulação Legislativa Impulsiona Supervisão via Compras Governamentais

Com a falta de uma regulamentação legislativa federal clara para a inteligência artificial (IA), tanto o governo dos Estados Unidos quanto o estado da Califórnia adotaram uma estratégia alternativa para estabelecer normas: o uso do poder de compra governamental. Essa abordagem, embora eficaz para definir padrões, traz desafios e potenciais conflitos para empresas que desejam fornecer soluções de IA para o setor público.

Regras da Administração de Serviços Gerais dos EUA (GSA)

Em 6 de março de 2026, a U.S. General Services Administration (GSA), responsável pelas compras governamentais federais, divulgou um conjunto de regras para aquisição de sistemas de IA. Entre os pontos centrais, destaca-se a exigência de que as soluções sejam neutras, evitando posições ideológicas, inclusive em temas sensíveis como diversidade, equidade e inclusão. A GSA busca, assim, garantir um ambiente não partidário para as tecnologias adquiridas.

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Imagem de apoio da materia original.

As regras são consideradas "landmark" por especialistas jurídicos, dado seu caráter prescritivo. Elas incluem:

  • Exigência de que os sistemas de IA sejam desenvolvidos e produzidos nos Estados Unidos.
  • Proibição do uso de dados governamentais para treinar ou aprimorar modelos de IA que atendam outros clientes.
  • Monitoramento de vieses e realização de benchmarks conduzidos pelo governo, embora sem definição clara de métricas quantitativas para medir esses vieses.

Essa ausência de métricas numéricas específicas dificulta a mensuração objetiva do viés, deixando espaço para interpretações subjetivas, conforme apontado por especialistas em segurança cibernética.

Posicionamento da Califórnia e Ordem Executiva do Governador

Em contraponto, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, emitiu uma ordem executiva em 30 de março de 2026 que exige que fornecedores demonstrem mecanismos de proteção contra vieses nocivos e salvaguardas para direitos civis. Diferentemente do governo federal, a Califórnia enfatiza a responsabilidade social e a proteção dos direitos individuais nas contratações de IA.

Essa ordem determina que os departamentos estaduais de Serviços Gerais e Tecnologia desenvolvam diretrizes contratuais em até quatro meses. Contudo, como ordens executivas podem ser revogadas por futuros governadores, e considerando que Newsom deixa o cargo em janeiro de 2027, a continuidade dessas políticas pode ficar em aberto.

Lobby da Indústria e Desafios Regulatórios

Enquanto isso, a indústria de IA investe milhões para influenciar legisladores e limitar regulações mais rígidas. Em um documento recente, a OpenAI defende a criação de processos democráticos para moldar políticas de IA. No entanto, o mecanismo de compras governamentais não é democrático: fornecedores precisam cumprir regras específicas para ganhar contratos.

Especialistas ressaltam que o poder financeiro do governo molda comportamentos do mercado, tornando as regras de aquisição uma ferramenta poderosa de controle.

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Conflitos Federais e Estaduais

Em dezembro de 2025, o ex-presidente Donald Trump emitiu uma ordem executiva para que agências federais contestem leis estaduais relacionadas à IA, defendendo a existência de um único conjunto de regras para manter a liderança americana na área. Apesar disso, vários estados continuam a propor legislações próprias, incluindo medidas para proteger menores no uso de chatbots e regular sistemas de alto risco em setores como saúde.

Além disso, há preocupações crescentes sobre o impacto ambiental da infraestrutura necessária para IA, com estados como Maine aprovando proibições temporárias para novos grandes data centers.

Segundo especialistas jurídicos, o governo federal não pode determinar como os estados gastam seus recursos, o que limita a eficácia das tentativas de unificação regulatória nacional.

Impactos Práticos para Empresas e Mercado

Para fornecedores de IA, essa multiplicidade de regras e enfoques representa um desafio significativo. Não é viável criar sistemas distintos para cada regulador; em vez disso, é necessário investir em governança robusta, com mecanismos internos para testes de viés, explicabilidade e monitoramento constante.

Essa complexidade pode aumentar custos e riscos, mas também impulsiona a inovação na forma como os resultados são apresentados para diferentes compradores, garantindo transparência e equidade.

Além disso, o uso do poder de compra governamental como ferramenta regulatória é comparado a outras áreas, como a saúde, onde o Medicare atua como regulador indireto por meio de suas políticas de pagamento.

O cenário atual mostra que, na ausência de uma legislação federal consolidada, estados e governo federal estão experimentando diferentes estratégias para regular a inteligência artificial, especialmente por meio das compras públicas. Essa dinâmica cria um ambiente de incertezas e desafios para empresas, mas também pode servir como campo de testes para abordagens regulatórias eficazes no futuro.

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