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Europa se cansa da dependência e acelera planos por soberania em inteligência artificial

26 de junho de 2026
12:59
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Europa se cansa da dependência e acelera planos por soberania em inteligência artificial

Enquanto Estados Unidos e China travam uma corrida armamentista em IA, a Europa está dizendo "basta". No Vivatech, maior conferência de tecnologia de Paris, um tema dominou as discussões: o medo de ficar permanentemente dependente de inteligência artificial americana, treinada com valores americanos.

Se "soberania" fosse uma palavra em um jogo de bebida, você estaria completamente embriagado em três horas, brinca o colunista Steven Levy, da Wired, que esteve presente no evento.

O fator Trump como catalisador

O presidente francês Emmanuel Macron aproveitou a sobreposição do Vivatech com a cúpula do G7 em Evian-les-Bains para dar um ultimato: se os EUA continuarem no caminho de uma IA nacionalista, a França tomará medidas para seguir sozinha.

O momento não poderia ser mais propício. A decisão do governo Trump de colocar os modelos Mythos e Fable da Anthropic sob controle de exportação — negando acesso a estrangeiros, inclusive funcionários da própria empresa — foi um choque para os europeus. "A atenção que temos atualmente na Europa não teria sido a mesma sem Trump", afirma Michael Förtsch, CEO da startup de chips Qant.

Uma questão de sobrevivência

Aidan Gomez, CEO da Cohere, foi direto: "Precisamos garantir que uma democracia ocupe a posição número dois, e isso não é verdade hoje." Sua empresa está costurando parcerias multinacionais, incluindo colaboração com a alemã Aleph Alpha e um memorando de entendimento com a Indra, maior empresa de tecnologia da Espanha.

Yann LeCun, que recentemente deixou o cargo de cientista-chefe de IA da Meta, está liderando o Project Tapestry, um esforço massivo para construir um modelo fundacional de código aberto. "Os governos do mundo todo querem soberania em IA. A única forma de isso acontecer é se houver um modelo livre e aberto, sobre o qual qualquer um possa construir seu próprio assistente especializado para sua língua, cultura e valores."

Fuga de cérebros ao contrário

Historicamente, os EUA atraíram os melhores cientistas europeus. Mas isso está mudando. Sete dos oito autores do famoso paper dos Transformers — que deu origem à IA generativa — eram estrangeiros. Hoje, muitos se sentem indesejados nos EUA.

"Eu não teria problema em montar um time dos sonhos de europeus, muitos dos quais deixariam seus confortáveis empregos em laboratórios de fronteira nos EUA", diz Jakob Uszkoreit, CEO da Inceptive e um dos coautores do paper Transformer.

Dinheiro e mentalidade

Os números mostram o tamanho do desafio: a Anthropic levantou US$ 65 bilhões recentemente — mais do que todo o investimento em startups de IA na Europa e Reino Unido no ano passado. Mas há esperança: a iniciativa "Choose France" de Macron já garantiu compromissos de mais de 100 bilhões de euros em infraestrutura de IA, incluindo 75 bilhões do SoftBank para data centers.

Como resume Uszkoreit: "A Europa estava acomodada. Os EUA acabaram de deixar claro que, na nova ordem mundial, isso acabou."

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