Funcionários sindicalizados da ProPublica entram em greve por 24 horas contra uso de IA, demissões e salários

Os cerca de 150 membros do sindicato ProPublica Guild, que representa a equipe da ProPublica — uma das principais redações jornalísticas sem fins lucrativos dos Estados Unidos — iniciaram uma greve de 24 horas a partir da quarta-feira, solicitando que o público respeite uma "linha de piquete digital" durante o período.
Contexto da greve e negociação coletiva
A paralisação marca a primeira vez que os funcionários da ProPublica caminham para uma greve desde que se sindicalizaram em 2023. Atualmente, o sindicato está em processo de negociação de um acordo coletivo de trabalho com a gestão da organização. Entre os principais pontos de discordância estão as proteções relativas ao uso de inteligência artificial (IA), cláusulas de "justa causa" para disciplina ou demissão, garantias contra demissões e questões salariais.

Segundo Katie Campbell, integrante do ProPublica Guild, "temos tentado resolver essas questões de forma discreta por mais de dois anos. Este é um momento para deixar claro para a direção e para o público a importância desses temas para quem produz este trabalho".
Debate sobre o uso da inteligência artificial
Uma das principais motivações para a greve é a forma como a ProPublica pretende utilizar ferramentas de IA generativa e como essa utilização será comunicada ao público. Desde que a IA se tornou amplamente acessível, muitos sindicatos de redações começaram a negociar cláusulas específicas sobre o tema em seus contratos.
A direção da ProPublica implementou recentemente uma política unilateral sobre IA, que gerou uma denúncia por prática trabalhista injusta por parte do NewsGuild, que representa os funcionários. Mark Olalde, membro do comitê de negociação, afirmou que as diretrizes atuais são vagas, concordando que a IA não está sendo usada para escrever textos ou criar fotos e vídeos, mas que é necessário formalizar essas regras no contrato coletivo.
Alexis Stephens, diretora de comunicação da ProPublica, afirmou que a empresa está "comprometida em alcançar um contrato justo e sustentável" e que as propostas feitas são similares às aceitas em outras redações representadas pelo NewsGuild. Ela ressaltou ainda que "é cedo para saber exatamente como a IA afetará nosso trabalho" e que a organização está explorando como essas tecnologias podem ampliar o espaço para reportagens investigativas e o pensamento criativo.
Perspectivas internas sobre a IA
Os funcionários da ProPublica possuem opiniões diversas sobre a utilização da IA no ambiente de trabalho. Alguns veem a tecnologia como uma ferramenta para automatizar tarefas repetitivas, liberando tempo para trabalhos mais complexos. No entanto, há preocupação com a substituição de funções que, segundo eles, são melhor desempenhadas por humanos, especialmente em áreas centrais do jornalismo.
O sindicato destaca a necessidade de garantias contra demissões motivadas pela adoção de IA e quer que os trabalhadores tenham voz ativa na definição do uso dessas tecnologias à medida que o setor evolui. Além disso, reivindicam que haja transparência pública quando a IA for usada para produzir conteúdos jornalísticos.
Apelo à solidariedade digital e próximos passos
Durante a greve de 24 horas, o ProPublica Guild pede que leitores e audiência evitem acessar o site e não interajam com o conteúdo da ProPublica em outras plataformas ou parceiros, como forma de apoio à paralisação.