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Geração Z e a relação ambivalente com a inteligência artificial: uso crescente e rejeição cultural

30 de abril de 2026
08:59
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Geração Z e a relação ambivalente com a inteligência artificial: uso crescente e rejeição cultural

Pressão e adoção da IA pela Geração Z

Desde que a indústria de tecnologia de Silicon Valley começou a promover intensamente chatbots baseados em grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT, há quase três anos, a Geração Z tem sido um dos grupos mais impactados. Jovens dessa faixa etária figuram entre os maiores usuários dessas ferramentas, mas pesquisas indicam que, paradoxalmente, eles também lideram uma resistência cultural crescente contra a inteligência artificial.

Contradições enfrentadas pelos jovens

Enquanto são pressionados a utilizar a IA para não ficarem para trás no mercado de trabalho, muitos jovens expressam receios profundos sobre o futuro que essa tecnologia pode impor. Eles enfrentam o medo da perda de empregos devido à automação e a preocupação com impactos sociais, emocionais e ambientais decorrentes da adoção em massa de IA.

Imagem relacionada ao artigo de The Verge AI
Imagem de apoio da materia original.

Meg Aubuchon, professora de artes de 27 anos, exemplifica esse sentimento ao afirmar que prefere se dedicar a uma carreira que não envolva o uso de IA, mesmo que isso signifique ganhar menos. Já Sharon Freystaetter, ex-engenheira de infraestrutura em nuvem, abandonou a indústria de tecnologia por preocupações éticas e ambientais relacionadas aos data centers que sustentam a IA.

Uso frequente, mas críticas contundentes

Dados de uma pesquisa Harvard-Gallup indicam que 74% dos jovens adultos nos EUA usam chatbots ao menos uma vez por mês. No entanto, 79% deles acreditam que a IA torna as pessoas mais preguiçosas, enquanto 65% consideram que o uso dessas ferramentas promove gratificação instantânea em detrimento da compreensão profunda e do pensamento crítico.

Além disso, a confiança na IA está em declínio: apenas 18% dos jovens se dizem esperançosos em relação à tecnologia, e 22% demonstram entusiasmo, ambos números em queda significativa em relação ao ano anterior. Quase metade dos entrevistados acredita que os riscos da IA superam os benefícios.

Desafios acadêmicos e profissionais

Universidades têm incorporado ferramentas de IA em suas grades, como o ASU Atomic, que sintetiza automaticamente aulas para facilitar o aprendizado. Contudo, essa integração tem gerado críticas dentro das comunidades acadêmicas, com estudantes alertando para a degradação da educação e a perda do espaço para o pensamento crítico e a reflexão humana.

No mercado de trabalho, jovens relatam que o uso de IA é frequentemente exigido para se destacar, o que gera ansiedade e sensação de coerção. A falta de transparência sobre como a automação filtra candidaturas torna a busca por empregos ainda mais desafiadora.

Aspectos sociais e culturais da rejeição à IA

A utilização da IA também se tornou um tema culturalmente tóxico entre os jovens, que muitas vezes escondem seu uso por medo de estigma social. O uso de imagens e textos gerados por IA é frequentemente ridicularizado nas redes sociais, especialmente quando percebido como um atalho para a criatividade.

Estudos indicam que o uso de IA pode diminuir a atividade cerebral relacionada ao pensamento crítico e aumentar a tendência ao "cognitive offloading", ou seja, a transferência de responsabilidades cognitivas para máquinas, o que pode enfraquecer habilidades de discernimento e tomada de decisão.

Perspectivas e preocupações para as futuras gerações

Embora muitos jovens reconheçam a utilidade prática das ferramentas de IA, como na triagem rápida de documentos técnicos, eles permanecem céticos quanto à dependência excessiva dessas tecnologias. Há também uma preocupação crescente com as gerações futuras, que crescerão com a IA integrada em todos os aspectos da vida, possivelmente sem aprender a questionar ou criticar seu uso.

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