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Golpe das Avaliações Falsas no Google: Jornalista é Pago com Criptomoedas e Quase Cai em Fraude

27 de março de 2026
06:23
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Golpe das Avaliações Falsas no Google: Jornalista é Pago com Criptomoedas e Quase Cai em Fraude

Uma investigação reveladora conduzida por um repórter disfarçado expôs a complexidade e o alcance global da indústria de fraudes envolvendo avaliações falsas no Google Maps, com o uso crucial de criptomoedas para pagamentos e lavagem de dinheiro. A reportagem, publicada pelo The Guardian, demonstra como grandes marcas hoteleiras foram alvo indireto dessa prática, enquanto os verdadeiros alvos eram os próprios colaboradores recrutados para escrever as avaliações fraudulentas.

O esquema das avaliações falsas e seu impacto

Durante alguns dias, o repórter recebeu ordens para escrever avaliações positivas para diversos estabelecimentos — desde um apartamento de férias próximo às ruínas de Pompeia até hotéis renomados como DoubleTree by Hilton, Ibis Budget, Travelodge e Hyatt Place. Curiosamente, ele nunca visitou esses locais, mas era instruído a dar cinco estrelas e elogios falsos.

Embora as grandes redes hoteleiras tenham negado qualquer envolvimento e afirmado não reconhecer as avaliações, o caso revela um problema mais amplo que atinge o comércio eletrônico e os consumidores, custando bilhões de libras por ano em gastos mal direcionados. O Competition and Markets Authority (CMA) do Reino Unido estima que entre 11% e 15% das avaliações online de produtos são falsas, causando prejuízos que variam entre £50 milhões e £312 milhões anualmente.

Como funciona o recrutamento e o pagamento em criptomoedas

O repórter foi contatado inicialmente por uma suposta recrutadora chamada "Sharon Roberts" via Telegram, um aplicativo de mensagens. Após nove dias de insistência e orientações, ele foi encaminhado para outra pessoa, "Victoria Castillo", que o instruiu a criar uma carteira de criptomoedas numa exchange americana e a receber pagamentos em USDC, uma stablecoin atrelada ao dólar americano.

Victoria orientou a ignorar obrigações legais de declaração dos ganhos em criptomoedas no Reino Unido, o que configura uma prática ilegal. Imagens associadas a Victoria indicavam uso de fotos possivelmente roubadas ou geradas por IA, reforçando o caráter fraudulento do esquema.

A escala global e a atuação em países com legislação fraca

O golpe é parte de uma indústria global de fraudes que prospera em países com regras jurídicas frágeis, como Camboja, Mianmar e Rússia. Em alguns casos, os próprios fraudadores são vítimas de tráfico humano e trabalham em condições análogas à escravidão em centros de golpes.

A operação também envolve canais no Telegram com milhares de seguidores, simulando empresas legítimas como a Quad Marketing Agency, que negou qualquer ligação com os fraudadores e prometeu tomar providências. O Telegram afirmou possuir sistemas robustos de moderação que removem milhões de conteúdos fraudulentos diariamente.

Dinâmica das tarefas e esquema de pirâmide

Os trabalhos consistiam em publicar até 14 avaliações falsas por dia, com pagamento inicial de US$ 5 por avaliação. Além disso, os colaboradores eram incentivados a participar de "tarefas comerciais", onde enviavam criptomoedas para receber de volta valores maiores, configurando um esquema de pirâmide.

Uma tabela divulgada no canal indicava pagamentos progressivos, com promessas de ganhos de até US$ 16 mil para investimentos iniciais de US$ 10 mil, reforçando o caráter fraudulento e a intenção de extorquir dinheiro dos participantes.

Medidas legais e respostas das plataformas

No Reino Unido, desde abril de 2025, plataformas que hospedam avaliações online devem adotar políticas claras para prevenir e remover avaliações falsas ou incentivadas, além de sinalizar atividades suspeitas. O Google, pressionado pelo CMA, intensificou seus esforços para detectar e eliminar avaliações fraudulentas, tendo removido mais de 240 milhões desde 2024 e restringido 900 mil contas.

Especialistas alertam que os fraudadores estão recorrendo a "bots humanos" para burlar as medidas de segurança, utilizando também inteligência artificial generativa e agentes autônomos para ampliar o alcance dos golpes.

O papel das criptomoedas na lavagem e ocultação de recursos

As criptomoedas facilitam a lavagem de dinheiro dentro do esquema, com transações públicas na blockchain que são embaralhadas por técnicas como o "tumbling" para ocultar a origem dos fundos. A Chainalysis, empresa especializada em rastreamento de blockchain, identificou padrões consistentes nas carteiras usadas para pagar os colaboradores, indicando a grande escala da operação.

Conclusão: riscos para colaboradores e consumidores

Além de prejudicar consumidores e empresas, o esquema coloca em risco os próprios colaboradores, que podem ser vítimas de golpes financeiros ao serem induzidos a investir dinheiro para continuar trabalhando. O repórter do The Guardian recebeu apenas US$ 30 após horas de trabalho, e ao revelar sua identidade, foi bloqueado pelos fraudadores.

O caso evidencia a necessidade de maior fiscalização, conscientização dos usuários sobre fraudes online e o fortalecimento das políticas das plataformas para proteger a integridade das avaliações e a segurança dos consumidores.

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