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Google e C2PA ampliam uso de tecnologias para identificar deepfakes e conteúdos gerados por IA

20 de maio de 2026
11:41
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Google e C2PA ampliam uso de tecnologias para identificar deepfakes e conteúdos gerados por IA

Em meio à crescente circulação de deepfakes e conteúdos gerados por inteligência artificial na internet, duas tecnologias de marcação invisível de arquivos digitais ganham destaque: SynthID, desenvolvida pelo Google, e C2PA Content Credentials, um padrão aberto promovido pela Content Authenticity Initiative. Ambas visam garantir a autenticidade de imagens, vídeos e áudios, ao inserir metadados que informam a origem e o processo de criação desses conteúdos.

Integração das tecnologias em ferramentas populares

Durante o evento Google I/O 2026, a empresa anunciou que o navegador Chrome e seu mecanismo de busca passarão a reconhecer e exibir informações de verificação de conteúdos que contenham marcas SynthID e C2PA. Essa integração representa o maior avanço até hoje para essas tecnologias, pois amplia significativamente o alcance das ferramentas, já que o Chrome domina o mercado global de navegadores.

Imagem relacionada ao artigo de The Verge AI
Imagem de apoio da materia original.

Até então, para verificar a presença do marcador SynthID, era necessário utilizar o aplicativo Gemini, o que limitava o acesso e a praticidade para os usuários. Com a novidade, a checagem poderá ser feita diretamente no navegador ou na busca, facilitando a identificação de conteúdos potencialmente manipulados ou gerados por IA.

Como funcionam SynthID e C2PA

  • SynthID: é um sistema de marcação invisível que insere uma espécie de "watermark" digital em imagens criadas por modelos de IA do Google, tornando difícil a remoção dessa identificação.
  • C2PA Content Credentials: é um padrão aberto que incorpora metadados de proveniência nos arquivos no momento da criação, detalhando como o conteúdo foi produzido ou modificado, incluindo o uso de ferramentas de IA. Porém, esses dados podem ser removidos, seja acidentalmente ou por ação deliberada, especialmente em plataformas de redes sociais que costumam eliminar metadados ao fazer upload.

Desafios e limitações atuais

A despeito do potencial, as duas tecnologias enfrentam desafios importantes:

  • O C2PA, embora adotado por vários fornecedores de IA, hardware e software, ainda é pouco utilizado na prática para verificar conteúdos na internet, devido à remoção frequente dos metadados e à falta de padronização entre plataformas.
  • SynthID, apesar de mais robusto por ser difícil de ser removido, atualmente tem alcance limitado, pois depende da adoção por parte dos criadores de conteúdo e serviços que geram imagens com IA.
  • Modelos de código aberto e mal-intencionados usados para criar deepfakes raramente incorporam esses sistemas de marcação, dificultando a detecção.

Parcerias e perspectivas futuras

Além do Google, a OpenAI anunciou que passará a incorporar a marca SynthID em imagens geradas por suas ferramentas, como ChatGPT e Codex, complementando o uso do C2PA que já era adotado pela empresa. Contudo, a OpenAI reconhece que metadados podem ser removidos e que a ausência deles não significa necessariamente que o conteúdo não foi criado por IA.

Outra colaboração importante envolve o Meta, que começará a usar metadados C2PA para identificar imagens capturadas por câmeras no Instagram. Essa medida visa ajudar os usuários a distinguir fotos autênticas de imagens manipuladas por IA, alinhando-se à visão do chefe do Instagram, Adam Mosseri, de que a confiança no conteúdo visual deve ser reforçada.

O papel do usuário e a importância da adoção ampla

Para que essas tecnologias sejam eficazes, é fundamental que mais modelos de IA e plataformas digitais adotem a inserção e a exibição das marcas SynthID e C2PA. A integração direta em navegadores, como a do Chrome, pode funcionar como um paliativo em sites que não oferecem suporte nativo à verificação.

No entanto, especialistas alertam que essas soluções não são infalíveis e que o combate à desinformação e aos deepfakes exige esforços combinados, incluindo educação digital, políticas públicas e desenvolvimento contínuo de tecnologias de detecção.

Conclusão: momento decisivo para a autenticação de conteúdos digitais

O avanço do Google e da Content Authenticity Initiative representa uma oportunidade crucial para provar se sistemas de marcação invisível podem realmente ajudar a conter a disseminação de deepfakes e conteúdos falsificados por IA. A eficácia dessas ferramentas dependerá da adesão massiva do mercado e da cooperação entre empresas, governos e usuários para garantir transparência e confiança no ambiente digital.

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