GRAI aposta em IA para tornar a música mais social e interativa, sem substituir artistas

GRAI e a nova abordagem para inteligência artificial na música
A startup de música baseada em inteligência artificial (IA), GRAI, está desafiando a visão predominante de que a IA substituirá os artistas musicais. Em vez disso, a empresa acredita que a tecnologia pode enriquecer a experiência musical, tornando-a mais social e interativa para os fãs, que preferem remixar e brincar com as faixas existentes do que criar músicas do zero.
Foco no remix e na participação do público
Diferente de outras startups como Suno e Udio, que focam na geração automática de músicas, a GRAI desenvolve produtos que permitem ao usuário modificar faixas já existentes, alterando estilos e remixando, tudo com o objetivo de promover uma interação mais dinâmica com o conteúdo musical.

O cofundador e CEO da GRAI, Ilya Liasun, destaca que a música é uma das últimas grandes categorias de consumo que ainda não adotou uma abordagem “criador-primeiro”. Segundo ele, há problemas evidentes no setor, como falhas na descoberta musical, o caráter passivo do ato de ouvir e a quase inexistência de contexto social durante o consumo.
Aplicativos sociais para remixagem musical
Atualmente, a GRAI oferece apps como o Music with Friends para iOS e um playground musical para Android, que permitem aos usuários explorar e transformar músicas em tempo real, preservando a identidade original das faixas.
Esses aplicativos são parte de uma estratégia para entender melhor como os consumidores desejam interagir com a música, indo além da simples criação ou escuta. O público-alvo são principalmente usuários das gerações Z e Alpha, que valorizam a descoberta musical por meio da cultura, amigos, fandoms e conteúdos curtos em plataformas como TikTok, mas não necessariamente querem ser produtores musicais.
Respeito aos direitos dos artistas e parcerias com gravadoras
Um ponto central para a GRAI é garantir que os artistas mantenham controle sobre suas obras. A empresa está em diálogo com gravadoras para obter permissões e oferecer aos criadores a possibilidade de optar por participar ou não dessas experiências de remixagem. O objetivo é construir um sistema legal e transparente que permita o uso dessas interações para gerar novas fontes de receita em royalties para artistas e gravadoras.
Como explica Liasun, “não queremos compartilhar conteúdo gerado por IA que seja irrelevante ou de baixa qualidade nas plataformas de streaming. Nosso foco está na interação e no engajamento com a música”.
Tecnologia própria para um ecossistema musical inovador
Para viabilizar essa experiência, a GRAI desenvolveu sua própria infraestrutura, incluindo um grafo de gostos e participação dos usuários, além de um pipeline de derivativos e sistemas de áudio em tempo real. Essa tecnologia permite que as transformações nas músicas preservem a essência das faixas originais, criando uma experiência de remixagem fluida e legalmente segura.
Investimento e equipe
A GRAI foi fundada por um time bielorrusso que já havia vendido o aplicativo de vídeo VOCHI para o Pinterest. Atualmente, a companhia conta com um aporte de US$ 9 milhões em rodada seed, liderada pelos fundos Khosla Ventures e Inovo vc, com participação de outros investidores como Tensor Ventures, Tiny.VC, Flyer One Ventures, a16z Scout Fund e anjos do setor tecnológico.
Perspectivas e próximos passos
A startup pretende continuar aprimorando seus aplicativos sociais, ouvindo o feedback dos usuários — inclusive críticas — para entender melhor o que funciona e o que deve ser ajustado. A visão é que, se a remixagem social ganhar popularidade, ela poderá ampliar o alcance da música e ajudar na descoberta de artistas fora das grandes plataformas tradicionais, como TikTok, YouTube e Reels.