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Grammarly desativa polêmica função de ‘Expert Review’ que usava nomes de especialistas sem autorização

5 de abril de 2026
09:16
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Grammarly desativa polêmica função de ‘Expert Review’ que usava nomes de especialistas sem autorização

A origem da função Expert Review

Conhecida inicialmente por sua extensão de navegador que sugere correções gramaticais, a Grammarly expandiu suas ambições para o universo da inteligência artificial. Em 2025, a empresa adquiriu a Superhuman Mail, um serviço de e-mail com recursos de IA, e passou a se posicionar como uma companhia de IA sob o nome Superhuman, mantendo a marca Grammarly como parte do portfólio.

Antes do rebranding oficial, em agosto de 2025, a Grammarly lançou discretamente a função “Expert Review”. Essa ferramenta prometia fornecer aos usuários “insights de profissionais, autores e especialistas renomados”, exibindo sugestões de escrita atribuídas a nomes como Stephen King, Neil deGrasse Tyson e Carl Sagan, acompanhadas de um ícone de verificação cujo significado nunca foi esclarecido.

Imagem relacionada ao artigo de The Verge AI
Imagem de apoio da materia original.

Apesar de uma pequena ressalva indicando que o uso dos nomes não significava afiliação ou endosso, a função passou despercebida por meses até que, em março de 2026, a imprensa especializada começou a questionar a legitimidade do recurso.

Controvérsias e repercussão negativa

Testes realizados pela equipe do The Verge revelaram que a função Expert Review não apenas usava nomes de especialistas sem autorização, mas também chegou a atribuir sugestões de escrita ao próprio time do The Verge, como Nilay Patel e David Pierce, sem consentimento.

As sugestões, muitas vezes genéricas e pouco úteis, vinham acompanhadas de links para fontes que frequentemente estavam quebrados ou redirecionavam para conteúdos irrelevantes, o que levantou dúvidas sobre a veracidade e confiabilidade do recurso.

Ao ser questionada, a Superhuman justificou que os nomes usados eram baseados em obras publicamente disponíveis e amplamente citadas, mas não informou ter avisado os especialistas nem oferecido formas de controle sobre o uso de suas identidades.

Desligamento da função e resposta da empresa

Após a repercussão negativa, a Grammarly abriu um canal para que os especialistas pudessem solicitar a exclusão de seus nomes da ferramenta. Poucos dias depois, anunciou a desativação da função Expert Review, com a promessa de repensá-la para garantir maior controle e representação adequada dos especialistas.

O CEO da Superhuman, Shishir Mehrotra, reconheceu publicamente o erro e pediu desculpas, afirmando que o recurso foi mal planejado e teve pouca adesão. Em entrevista, ele sugeriu que o futuro da economia dos criadores poderia incluir agentes de IA treinados por especialistas para interagir com o público, mas admitiu que o modelo atual não funcionou.

Implicações legais e perspectivas futuras

No mesmo dia do anúncio de desligamento, a jornalista investigativa Julia Angwin entrou com uma ação coletiva contra a Superhuman, alegando violação de direitos de privacidade e imagem, além de infringir leis de proteção à semelhança em Nova York e Califórnia.

Embora a função Expert Review tenha sido retirada, a empresa sinalizou interesse em reformulá-la, com maior participação dos especialistas na forma como suas vozes e conhecimentos são representados. Essa situação ilustra os desafios éticos e legais da aplicação de IA generativa, especialmente quando envolve o uso de conteúdo e identidade de terceiros sem consentimento.

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