Influenciadores gays gerados por IA viralizam no Instagram e provocam debates sobre autenticidade e marketing digital

Um recente momento viral no tapete vermelho destacou um fenômeno inusitado no Instagram: influenciadores digitais gays, de aparência impecável e corpos esculturais, que na verdade não existem. Criados por inteligência artificial, esses perfis conquistam milhares de seguidores que parecem pouco se importar com sua origem digital.
O que são os influenciadores gays gerados por IA?
Entre esses avatares virtuais está Jae Young Joon, um influenciador com mais de 320 mil seguidores, que publica fotos com máscaras faciais, momentos festivos com amigos e até poses em festivais como o Coachella. Sua carreira musical também é parte da narrativa, com um álbum recente que apresenta uma capa inspirada em BDSM. No entanto, Jae não é uma pessoa real: sua bio no Instagram deixa claro que ele é "Human mind. AI generated".

Por trás de Jae está Luc Thierry, um canadense que criou e administra o perfil. Thierry revela que, apesar da transparência sobre a natureza artificial do personagem, a maioria dos seguidores ignora ou finge não perceber, entrando numa espécie de role-play, como se fosse um personagem de uma série ou jogo.
Comunidade e colaboração entre criadores de IA
Thierry faz parte de um grupo seleto de criadores que desenvolvem conteúdos para o público gay masculino, embora surpreendentemente a maioria dos seguidores de Jae seja feminina. Esses criadores mantêm um grupo de conversa onde apoiam-se mutuamente, curtem e comentam nos perfis uns dos outros, e frequentemente colaboram para expandir seu alcance. Um exemplo recente foi a viralização das aparições dos personagens "Santos Walker" e "Caleb Ellis" no tapete vermelho da estreia de "The Devil Wears Prada 2", que gerou polêmica sobre a autenticidade e o uso de influenciadores digitais em marketing.
Repercussão e controvérsias
A aparição de Santos e Caleb no tapete vermelho causou reações mistas. Alguns acusaram o post de ser uma campanha publicitária disfarçada, o que não foi confirmado pela 20th Century Studios, e outros criticaram os seguidores que se encantam com corpos irreais, levantando debates sobre a perpetuação de padrões de beleza inalcançáveis na comunidade gay.

Os criadores, por sua vez, defendem que não estão enganando ninguém, já que não ganham muito dinheiro e são transparentes sobre o uso da IA. No entanto, a resistência das marcas em investir nesses perfis ainda é forte, como ocorreu com a marca de roupas de banho Charlie by MZ, que retirou uma campanha após críticas.
O dilema ético e o futuro dos influenciadores virtuais
Luc Thierry admite que recebe mensagens emocionadas de fãs que não perceberam que Jae é fictício, o que gera um dilema moral para ele. Ele tenta equilibrar a transparência com a manutenção do universo ficcional para que o público possa se divertir e se envolver emocionalmente, comparando o processo à imersão em uma série de TV.
Além disso, Thierry aposta no crescimento do mercado para influenciadores virtuais, especialmente com a criação da agência de modelos IA Born2BeAI e da comunidade Virtuomo, focada em modelos masculinos gays gerados por IA. Apesar dos desafios atuais, ele acredita que esses perfis podem oferecer uma forma honesta de entretenimento, diferente da realidade polida e muitas vezes falsa que muitos humanos exibem nas redes sociais.