John Ternus assume como CEO da Apple e herda o desafio da inteligência artificial

Em um movimento que marca o fim da era Tim Cook, a Apple anunciou que John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, será o novo CEO a partir de 1º de setembro de 2026. Com 25 anos de casa, Ternus é o primeiro executivo vindo do setor de hardware a assumir o cargo em cerca de 30 anos, conhecido por liderar projetos como iPad, iPhone e AirPods. No entanto, o anúncio oficial da substituição não mencionou a inteligência artificial (IA), um dos principais desafios que Ternus deverá encarar.
O desafio da inteligência artificial na Apple
Apesar do prestígio da Apple no mercado de tecnologia, a companhia tem sido criticada por sua aparente demora em acompanhar a corrida da IA, especialmente no que diz respeito ao assistente virtual Siri. Enquanto concorrentes como Google, Microsoft e OpenAI avançam rapidamente com agentes de IA capazes de realizar tarefas complexas, a Apple ainda depende de modelos externos e não entregou as funcionalidades prometidas para Siri, como as melhorias de personalização anunciadas em 2024 que continuam atrasadas.

Além disso, iniciativas internas como o Apple Intelligence, que visa integrar IA aos produtos Apple, receberam críticas e até zombarias por não atingirem a qualidade esperada, como ocorreu com os resumos de notificações. Isso evidencia um hiato entre a reputação de inovação da Apple e sua atuação prática na área de IA.
Experiência de Ternus e expectativas para o futuro
John Ternus é reconhecido por aprimorar a durabilidade e a reparabilidade dos produtos Apple, além de implementar avanços como cancelamento de ruído nos AirPods e supervisionar lançamentos importantes como o MacBook Neo. No entanto, sua experiência está centrada no hardware, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade de liderar a transformação da Apple na área de IA.
O novo CEO terá a missão de não apenas recuperar o atraso da Apple na IA, mas também de conduzir a empresa rumo a soluções inteligentes que sejam simples, bem projetadas e alinhadas à filosofia da marca. Isso inclui a integração da tecnologia Gemini, da Google, que deverá alimentar os futuros modelos de base da Apple, conforme acordo firmado recentemente, estimado em cerca de US$ 1 bilhão anuais.
Impacto prático para usuários e mercado
Para os consumidores, a expectativa é que a Apple finalmente entregue melhorias substanciais no Siri e outras funcionalidades de IA integradas aos seus dispositivos, oferecendo uma experiência mais competitiva e eficiente. A demora, entretanto, tem levado usuários a migrarem para produtos concorrentes, como o MacBook Neo, que apesar de menos "inteligentes", oferecem melhor custo-benefício e menos dependência de IA mal implementada.
O mercado acompanha atentamente os próximos passos da Apple, especialmente com a proximidade da WWDC 2026, evento no qual a empresa tradicionalmente apresenta novidades importantes. Será o momento de Ternus mostrar se sua liderança será capaz de colocar a Apple de volta na vanguarda da inteligência artificial.