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Jornal The New York Times encerra parceria com jornalista freelancer após uso de IA em resenha literária

31 de março de 2026
11:48
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Jornal The New York Times encerra parceria com jornalista freelancer após uso de IA em resenha literária

Contexto do caso envolvendo IA e jornalismo literário

O jornal The New York Times decidiu encerrar a colaboração com o jornalista freelancer Alex Preston após a descoberta de que ele utilizou inteligência artificial para auxiliar na redação de uma resenha de livro, que continha trechos semelhantes a uma crítica publicada anteriormente no The Guardian. O episódio levanta questões importantes sobre os limites éticos do uso da IA na produção de conteúdo jornalístico e literário.

Como o problema foi identificado

O caso veio à tona depois que um leitor do New York Times percebeu semelhanças entre a resenha do livro Watching Over Her, de Jean-Baptiste Andrea, publicada em janeiro no NYT e assinada por Preston, e uma crítica publicada em agosto no Guardian pela jornalista Christobel Kent. O leitor comunicou a redação do NYT, que iniciou uma investigação interna.

Investigação e reconhecimento do uso de IA

Durante a apuração, Preston admitiu ter usado uma ferramenta de inteligência artificial para ajudar na elaboração da resenha. Ele relatou que não percebeu que partes do texto continham trechos extraídos da crítica do Guardian antes de enviar o material ao jornal. O New York Times classificou essa prática como uma violação clara de seus padrões editoriais.

Trechos semelhantes e detalhes do conteúdo

As semelhanças detectadas incluem descrições específicas de personagens e avaliações finais do livro. Por exemplo, a expressão "lazy Machiavellian Stefano" aparece quase idêntica em ambas as resenhas. Além disso, a caracterização do país retratado no romance como um lugar de contradições e performances artísticas foi praticamente replicada, com pequenas variações de palavras.

Consequências para o jornalista e posicionamento do jornal

O New York Times notificou o Guardian sobre a sobreposição textual e adicionou uma nota editorial à resenha, reconhecendo o uso da IA e vinculando o artigo original do Guardian. A nota explica que o freelancer não removeu o conteúdo não atribuído incorporado pela ferramenta de IA.

Alex Preston publicou uma declaração pública admitindo o erro e manifestando grande constrangimento. Ele afirmou que se responsabilizou imediatamente pelo ocorrido e pediu desculpas tanto ao New York Times quanto a Christobel Kent e ao Guardian. O jornalista, que já escreveu para outras publicações como Observer e Financial Times, também é autor de seis livros e atua como head de advisory na empresa de gestão de investimentos Man Group.

Implicações para o uso de IA no jornalismo

Este caso evidencia os desafios e riscos associados ao uso de inteligência artificial na produção jornalística, especialmente no que se refere à originalidade e atribuição correta de fontes. Ferramentas de IA podem inadvertidamente reproduzir conteúdo de terceiros, o que exige rigorosa revisão humana para evitar plágio e violações éticas.

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