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Meta investe em 10 usinas a gás natural para alimentar data center de IA equivalente a toda Dakota do Sul

1 de abril de 2026
15:47
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Meta investe em 10 usinas a gás natural para alimentar data center de IA equivalente a toda Dakota do Sul

A Meta anunciou um investimento significativo em energia para suportar seu novo data center de inteligência artificial, o Hyperion, que está sendo construído na Louisiana. Para suprir a demanda elétrica de 7,5 gigawatts — equivalente ao consumo total do estado de Dakota do Sul — a empresa financiará a construção de 10 usinas termelétricas movidas a gás natural, sete delas anunciadas recentemente, somando-se às três já comprometidas anteriormente.

Dimensão do projeto e impacto energético

O data center Hyperion, orçado em US$ 27 bilhões, terá uma demanda de energia tão expressiva que requererá a geração de eletricidade comparável a um estado inteiro dos EUA. Essas usinas a gás natural na Louisiana terão capacidade para gerar aproximadamente 7,5 GW, um volume que ultrapassa a capacidade energética total de Dakota do Sul, conhecido como "Mount Rushmore State".

Imagem relacionada ao artigo de TechCrunch AI
Imagem de apoio da materia original.

Contradição com compromissos ambientais da Meta

Apesar de a Meta ser reconhecida por suas iniciativas em sustentabilidade, incluindo a compra de energia renovável e até a aquisição quase integral de uma usina nuclear para garantir energia limpa, a decisão de apostar fortemente em usinas a gás natural gera questionamentos. O gás natural é frequentemente descrito como um "combustível de transição", utilizado enquanto fontes renováveis, baterias e energia nuclear se desenvolvem. Contudo, essa justificativa tem sido questionada, já que os preços de tecnologias renováveis e baterias caíram significativamente, enquanto os custos de turbinas a gás dispararam.

Consequências ambientais do uso intensivo de gás natural

Segundo cálculos baseados em dados do Departamento de Energia dos EUA, as 10 usinas a gás natural deverão emitir cerca de 12,4 milhões de toneladas métricas de CO2 anualmente — 50% a mais que a pegada de carbono total da Meta em 2024. Além disso, a análise não considera vazamentos de metano na cadeia de fornecimento do gás natural, um fator crucial, pois o metano é um gás de efeito estufa 84 vezes mais potente que o CO2. Vazamentos típicos na produção e transporte de gás natural nos EUA são estimados em cerca de 3%, o que pode tornar o impacto climático do gás natural superior ao do carvão.

Curiosamente, o último relatório de sustentabilidade da Meta não menciona o metano nem o gás natural, apesar de o combustível estar prestes a se tornar um dos maiores contribuintes para a pegada de carbono da empresa.

Reação e transparência

A equipe do TechCrunch tentou obter comentários da Meta sobre essa estratégia energética, mas não recebeu respostas. A empresa poderá tentar compensar as emissões por meio de créditos de remoção de carbono, mas isso exigirá muito mais créditos e uma transparência maior sobre as emissões reais de metano decorrentes do funcionamento das novas usinas.

Contexto do setor tecnológico e energia

Data centers de grande escala, especialmente os dedicados a IA, têm consumos de energia que rivalizam com os de estados inteiros, o que cria desafios para a sustentabilidade do setor tecnológico. Embora empresas como Meta invistam em energia renovável, a necessidade de garantir energia constante e confiável tem levado a escolhas controversas, como a aposta em gás natural, que tem impacto ambiental significativo.

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