Meta mantém prejuízos bilionários em AR/VR e amplia gastos em inteligência artificial em 2026

Prejuízos recorrentes na Reality Labs
O relatório financeiro trimestral da Meta, divulgado em abril de 2026, revelou que a divisão Reality Labs, responsável por desenvolver óculos de realidade aumentada (AR), headsets de realidade virtual (VR) e softwares relacionados, registrou um prejuízo de US$ 4 bilhões apenas no último trimestre. Esse valor não é uma exceção: desde 2021, a Reality Labs acumula perdas totais de US$ 83,5 bilhões em 21 trimestres, uma média constante de US$ 4 bilhões por trimestre.
Contexto financeiro da Meta e foco em IA
Apesar dos elevados prejuízos na área de AR/VR, a Meta segue apresentando resultados financeiros robustos em seu núcleo tradicional de redes sociais. No primeiro trimestre de 2026, a empresa reportou um lucro líquido de US$ 26,8 bilhões, um aumento de 61% em relação ao mesmo período do ano anterior, e receita de US$ 56,3 bilhões, crescimento de 33% ano a ano.

Contudo, a companhia está redirecionando seus investimentos para a inteligência artificial (IA), buscando se manter competitiva frente a líderes do setor, como OpenAI e Anthropic. A previsão de gastos em 2026 para infraestrutura e desenvolvimento de IA está entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões, superando as estimativas anteriores do mercado e da própria Meta.
Desafios e estratégias para conter custos
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, afirmou durante a teleconferência com investidores que o aumento nas despesas de capital está ligado principalmente a custos maiores de componentes, especialmente memória. Ele destacou o foco da empresa em aumentar a eficiência dos investimentos, mesmo com o cenário desafiador.
Além disso, a Meta realizou uma contratação significativa de mais de 50 pesquisadores e engenheiros de IA no ano anterior, o que resultou no lançamento do modelo de IA "Muse Spark" no início deste mês. Apesar do crescimento no uso da IA, os custos para desenvolver e manter esses produtos continuam em alta.
Perspectivas incertas para 2027
Questionada sobre as projeções de investimentos para 2027, a CFO Susan Li indicou que a empresa está em um processo dinâmico de planejamento, sem fornecer números específicos. Ela ressaltou que a Meta tem subestimado suas necessidades de capacidade computacional até o momento, o que sugere que os gastos podem aumentar ainda mais.
Reação do mercado e impacto prático
Apesar dos bons resultados financeiros globais, a reação dos investidores não foi positiva: as ações da Meta caíram mais de 5% no pregão após o fechamento. A continuidade dos prejuízos bilionários em realidade aumentada e virtual, somada ao aumento significativo dos investimentos em IA, gera dúvidas sobre o equilíbrio entre inovação e sustentabilidade financeira da empresa.