Músico folk Murphy Campbell enfrenta falsificações por IA e abusos no sistema de direitos autorais

Descoberta de músicas falsas em plataformas de streaming
Em janeiro de 2026, a musicista folk Murphy Campbell percebeu a presença de várias músicas em seu perfil no Spotify que ela jamais havia carregado. Embora fossem canções que ela havia gravado e postado no YouTube, havia algo estranho nas vozes das faixas. Após análise, Campbell concluiu que alguém havia utilizado suas performances do YouTube para criar versões geradas por inteligência artificial (IA) e as disponibilizou em plataformas de streaming sob seu nome.
Para confirmar suas suspeitas, Murphy submeteu uma das músicas, "Four Marys", a dois detectores de IA, que indicaram alta probabilidade de serem versões artificiais. A artista expressou surpresa e decepção com a falta de mecanismos mais rigorosos para impedir esse tipo de uso indevido.

Processo de remoção e falhas persistentes
Após uma longa batalha, Murphy conseguiu remover algumas dessas faixas falsas de plataformas como YouTube Music e Apple Music. Entretanto, pelo menos uma música ainda permanece no Spotify, embora sob um perfil diferente, mas com o mesmo nome da artista. Essa situação gerou múltiplas contas falsas em nome de Murphy Campbell, dificultando a proteção da sua identidade artística.
Spotify anunciou estar testando um sistema que permitirá aos artistas aprovarem manualmente músicas antes de aparecerem em seus perfis, mas a artista mantém certo ceticismo, lembrando promessas anteriores de grandes plataformas que não foram cumpridas.
Reivindicações indevidas de direitos autorais sobre músicas em domínio público
Além do problema das falsificações por IA, Murphy enfrentou um novo desafio: o envio de notificações de reivindicação de direitos autorais em seus vídeos no YouTube. Essas reivindicações foram feitas por meio do distribuidor Vydia, que alegou propriedade sobre músicas que, na verdade, estão em domínio público, como a clássica "In the Pines", cuja origem remonta ao século XIX e já foi interpretada por artistas renomados como Lead Belly e Nirvana.
Os vídeos usados para essas reivindicações não foram publicados publicamente, e só o uploader, identificado como Murphy Rider, teve acesso a eles. Após repercussão negativa, Vydia retirou as reivindicações e baniu o usuário responsável da plataforma.
Segundo o porta-voz Roy LaManna, apenas 0,02% das mais de seis milhões de reivindicações feitas por Vydia via sistema Content ID do YouTube foram consideradas inválidas, percentual considerado excelente dentro do setor. Ele também afirmou que a empresa não tem ligação com os covers de IA ou com o grupo Timeless IR, responsável pelo upload das versões falsas nos serviços de streaming.
Impactos e desafios do cruzamento entre IA, distribuição musical e direitos autorais
A experiência de Murphy Campbell expõe as fragilidades do atual sistema de direitos autorais diante do avanço das tecnologias de inteligência artificial e da complexidade da distribuição digital de música. A artista acredita que o problema vai além dos casos isolados, envolvendo múltiplas falhas e possibilidades de abusos dentro do ecossistema musical.
Além dos danos à reputação e à identidade artística, esses episódios levantam questões sobre proteção legal, responsabilidade das plataformas e necessidade urgente de atualização das normas para lidar com conteúdos gerados ou manipulados por IA.