Orbital Inc. lança projeto de data centers para inferência de IA em satélites no espaço

O crescimento acelerado dos modelos de linguagem grandes está impulsionando uma expansão global de data centers, elevando também a demanda por energia elétrica. Diante da sobrecarga nas redes terrestres, a busca por fontes alternativas tem levado algumas empresas a mirar além da Terra. É o caso da startup americana Orbital Inc., que anunciou em abril de 2026 seus planos para construir data centers em órbita espacial, focados em operações de inferência de inteligência artificial (IA).
O que é o projeto da Orbital Inc.?
Baseada em Los Angeles e apoiada pela renomada gestora de investimentos Andreessen Horowitz (A16z), a Orbital está desenvolvendo uma constelação de pequenos satélites em órbita baixa da Terra, cada um equipado com um rack de servidores GPU alimentado por painéis solares do tamanho aproximado de uma quadra de tênis, além de painéis radiativos para resfriamento. A meta de longo prazo é lançar até 10.000 satélites do tamanho de um refrigerador, cada um com capacidade de 100 kW, formando uma nuvem distribuída para rodar cargas de trabalho de inferência, como chatbots e agentes inteligentes.

Para quem serve e qual o impacto prático?
O foco principal da Orbital são os chamados "big model labs", empresas que operam modelos de IA com grande demanda de inferência, como OpenAI e Anthropic. Essas organizações poderão acessar a rede espacial via APIs diretas para compra de tokens ou por meio de contratos empresariais que direcionem parte da carga de inferência para os satélites orbitalizados.
O uso da energia solar no espaço, considerada "gratuita" e abundante, permite contornar as limitações e custos crescentes da eletricidade terrestre, além de reduzir o impacto ambiental dos data centers tradicionais. Isso pode representar um avanço significativo para a sustentabilidade e escalabilidade da computação em IA.

Disponibilidade e cronograma de lançamento
A Orbital planeja lançar um protótipo de satélite em 2027, a bordo de um foguete SpaceX Falcon 9, para validar o funcionamento das GPUs em órbita e executar cargas comerciais de inferência. A expectativa é concluir o design final dos satélites até 2026 e estabelecer uma fábrica de fabricação em Los Angeles até 2028.
Desafios técnicos e soluções propostas
- Radiação: A exposição aos raios cósmicos pode causar erros nos processadores GPU, exigindo técnicas de hardening para garantir confiabilidade.
- Gerenciamento térmico: Sem ar para resfriamento, a dissipação de calor é feita por painéis radiativos, um desafio que a Orbital pretende contornar com sistemas de refrigeração líquida à base de amônia.
- Manutenção: A impossibilidade de reparos frequentes no espaço demanda designs robustos e testes rigorosos antes do lançamento.
- Latência: Embora cargas como chatbots tolerem atrasos de dezenas de milissegundos, aplicações sensíveis a tempo real, como negociações financeiras, podem não ser adequadas.
O fundador e CEO, Euwyn Poon, destaca que a arquitetura distribuída, com satélites menores e independentes rodando inferência em GPUs, torna o projeto mais viável que tentar replicar grandes clusters de treinamento espacialmente acoplados.
Como funciona o sistema de inferência espacial?
O processo inicia com uma solicitação do usuário enviada a um data center terrestre, que a direciona a uma estação terrestre (ground station). Esta retransmite para um dos satélites na constelação, que se comunicam entre si por enlaces ópticos via laser para distribuir a carga entre GPUs disponíveis. Após o processamento, o resultado é enviado de volta ao usuário pelo mesmo caminho.