Orbital recebe investimento para lançar data centers de IA em órbita terrestre

A startup Orbital, sediada em Los Angeles e fundada em 2026, acaba de dar um importante passo para transformar sua visão futurista em realidade: operar data centers dedicados à inteligência artificial no espaço. A empresa anunciou ter recebido financiamento do programa acelerador A16z Speedrun, vinculado ao fundo de venture capital Andreessen Horowitz, que costuma investir cerca de US$ 1 milhão em startups promissoras.
Visão e inovação tecnológica
O plano da Orbital é lançar uma constelação de satélites em órbita baixa da Terra, cada um equipado com clusters de servidores Nvidia e painéis solares para geração de energia. Essa infraestrutura espacial visa superar limitações cruciais enfrentadas pelos data centers terrestres, principalmente no que diz respeito ao consumo energético e ao resfriamento dos equipamentos.

Ao contrário do ambiente terrestre, onde o fornecimento de energia pode ser instável e o resfriamento depende de sistemas complexos, os satélites da Orbital poderão aproveitar a energia solar contínua, já que no espaço não há noite nem condições climáticas adversas. Além disso, o calor gerado pelos servidores será dissipado diretamente no espaço, onde a temperatura é próxima do zero absoluto, eliminando a necessidade de sistemas de refrigeração convencionais.
Impacto para o mercado de IA e sustentabilidade
O CEO da Orbital, Euwyn Poon, destaca que o avanço da inteligência artificial está sendo limitado pela capacidade da rede elétrica e pelos custos de resfriamento dos data centers tradicionais. "A economia dos data centers é dominada por eletricidade e refrigeração, e ambos estão se tornando cada vez mais desafiadores", afirmou. Segundo ele, a solução em órbita permite remover o teto energético e acompanhar o crescimento exponencial da IA.

Essa iniciativa também responde a preocupações ambientais crescentes. Relatórios recentes da Universidade de Stanford indicam que os sistemas de IA já consomem tanta energia quanto países europeus menores, como Áustria ou Suíça. Nos Estados Unidos, estados como Maine consideram até mesmo proibir a instalação de novos data centers devido ao impacto energético.
Foco em inferência de IA e próximos passos
Orbital concentra seus esforços na operação de data centers para inferência de IA, ou seja, o processamento das solicitações feitas aos modelos já treinados. Diferentemente do treinamento, que exige milhares de GPUs conectadas com latência quase zero, a inferência pode ser distribuída em satélites independentes, tornando o espaço uma alternativa viável.
Com o aporte da A16z Speedrun, a Orbital planeja lançar sua primeira missão de teste em abril do próximo ano, além de abrir um centro de pesquisa e desenvolvimento para aprimorar a tecnologia.