Pesquisa da Anthropic com 52 mil americanos revela consenso sobre IA: esperança, medo e demanda por regulação
A Anthropic divulgou os resultados da primeira onda da Anthropic Public Record, uma pesquisa em larga escala que captura como os americanos pensam sobre inteligência artificial. Realizada entre novembro e dezembro de 2025, a pesquisa entrevistou quase 52.000 pessoas nos Estados Unidos e revelou um consenso surpreendente entre partidos, regiões e níveis educacionais.
O que os americanos esperam da IA
Quando perguntados sobre suas maiores esperanças, 48% dos entrevistados colocaram a cura de doenças como câncer e Alzheimer entre as três principais prioridades. Outros 36% destacaram a assistência a pessoas com deficiência, enquanto 23% mencionaram o progresso tecnológico e a simplificação da vida cotidiana.
Na ponta oposta, as opções menos populares foram aquelas que envolvem a substituição do contato humano — como terapia por IA ou redução da solidão.
Os maiores medos
Os receios são igualmente claros. Perda de empregos lidera com 64% dos entrevistados preocupados, seguida por dependência cognitiva (56%) e desinformação (52%). O uso criminoso da IA e a vigilância em massa também aparecem entre as principais preocupações.
Um dado importante: os americanos tendem a se preocupar mais com o mau uso da IA por humanos do que com o risco de a IA "sair do controle" (misalignment).
Perda de empregos: quanto mais estudo, mais medo
O medo da perda de empregos é bipartidário — 67% dos democratas e 62% dos republicanos estão preocupados. Curiosamente, quanto maior o nível educacional, maior o medo: pessoas com pós-graduação são cerca de 10 pontos percentuais mais preocupadas do que aquelas com ensino médio ou menos.
O padrão se inverte entre usuários frequentes de IA: 54% dos que usam IA diariamente no trabalho estão preocupados, contra 70% dos que nunca usam. A hipótese é que os trabalhadores que mais temem a substituição são aqueles cujas funções já se sobrepõem ao que a IA faz hoje.
Dependência cognitiva: um medo antecipatório
Apesar de 56% dizerem que se preocupam com a dependência cognitiva da IA, apenas um quinto desses sentiria ruptura significativa se a IA desaparecesse amanhã. Educadores estão entre os grupos mais preocupados — estudos qualitativos anteriores da Anthropic já apontavam que professores são 2,5 a 3 vezes mais propensos a relatar atrofia cognitiva em alunos.
Regulamentação: 71% querem governo envolvido
O apoio à regulamentação governamental da IA é majoritário em todos os espectros políticos: 79% dos democratas, 68% dos republicanos e 69% dos independentes. As principais prioridades para ação governamental são privacidade (56%), segurança infantil (52%) e responsabilidade legal por danos (49%).
Apenas 15% dos americanos confiam nas empresas de IA para decidir os rumos do desenvolvimento da tecnologia. Especialistas independentes são os mais confiáveis (43%).
O perfil do usuário integrado
Apenas 6% dos americanos usam IA diariamente tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Esse grupo é majoritariamente jovem, masculino, urbano e com ensino superior. Cerca de dois terços são early adopters. Eles se preocupam menos com todos os riscos listados e confiam mais em todas as instituições — mas ainda apoiam a regulamentação governamental na mesma proporção que a população geral.
Por que isso importa
A pesquisa da Anthropic é a primeira do tipo em escala e estabelece uma linha de base para o debate público sobre IA nos Estados Unidos. Os dados mostram que, apesar da polarização política em outras áreas, a IA é um tema onde há espaço para consenso — e onde a demanda por responsabilidade e transparência é clara e urgente.
Fonte: Anthropic Public Record