Primeiros Socorristas Alertam para Piora no Desempenho dos Veículos Autônomos da Waymo

Autoridades de emergência de cidades como San Francisco e Austin manifestaram preocupações crescentes sobre a operação dos veículos autônomos da Waymo, apontando que o desempenho desses carros está piorando, com impactos diretos na eficiência dos atendimentos em situações críticas.
Problemas Reais em Situações de Emergência
Em reunião privada com reguladores federais, líderes de equipes de primeiros socorros relataram que os veículos autônomos frequentemente travam ou bloqueiam vias, prejudicando o acesso rápido a locais de emergência. Um oficial de polícia afirmou que a tecnologia foi implementada em larga escala "muito rapidamente, com centenas de veículos, quando ainda não estava pronta".

Mary Ellen Carroll, diretora executiva do Departamento de Gerenciamento de Emergências de San Francisco, destacou que os veículos cometem mais infrações de trânsito e que há um retrocesso em algumas melhorias anteriores. O chefe do Corpo de Bombeiros local, Patrick Rabbitt, também ressaltou que os carros "congelam" com frequência, bloqueando acessos vitais às estações de bombeiros e atrasando o atendimento.
Desafios em Austin: Reconhecimento de Sinais e Tempo de Resposta
Em Austin, o problema com os Waymos inclui a dificuldade dos veículos em reconhecerem sinais manuais de policiais, principalmente aqueles feitos por oficiais em motocicletas, o que gera atrasos durante emergências e incidentes incomuns no trânsito. O tenente William White, responsável pelo Comando de Fiscalização Rodoviária da polícia local, reforçou que a implantação rápida e em grande escala foi precipitada, afetando a segurança pública.
Expansão da Waymo e Resistências Locais
A Waymo opera atualmente em 10 cidades americanas e planeja expandir para outras 10, incluindo Londres, oferecendo cerca de 500 mil corridas pagas por semana. Apesar do crescimento, a recepção em algumas cidades tem sido complicada, com oposição política e preocupações de segurança levantadas por agentes locais e sindicatos.
Em resposta, a empresa afirma valorizar a parceria com os primeiros socorristas e destaca que já treinou presencialmente mais de 35 mil profissionais de emergência. No entanto, em reuniões públicas, representantes da Waymo têm se ausentado, como observado durante audiência no Conselho Municipal de Austin, onde cadeiras reservadas à empresa permaneceram vazias.

Casos Específicos e Impactos na Segurança
Entre os incidentes relatados, destaca-se um episódio em Austin onde um veículo autônomo bloqueou uma ambulância por dois minutos durante uma resposta a um tiroteio com múltiplas vítimas. Em San Francisco, durante um apagão em dezembro, mais de mil veículos Waymo ficaram parados, exigindo intervenção manual para remoção de 60 deles, situação que gerou preocupação sobre a integração da tecnologia em emergências.
Tais ocorrências aumentam o volume de chamadas ao 911, potencialmente atrasando o atendimento a casos de vida ou morte.
O Elemento Humano e a Comunicação com Veículos Autônomos
Os chamados "human babysitters" — operadores remotos que auxiliam os veículos — têm sido apontados como um ponto crítico. Oficiais reclamam da necessidade de se comunicarem de dentro dos carros para receber ajuda, sugerindo a instalação de microfones externos para facilitar o diálogo. A falta de "consciência social" dos veículos diante da interação humana, especialmente em situações inesperadas, faz com que eles "congelem", aumentando o risco para todos.
Novas Regras e Caminho para Melhoria
Em resposta às críticas, o Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia publicou novas regulações para veículos autônomos, que entrarão em vigor em julho. As normas exigem que as empresas respondam a chamados de primeiros socorros em até 30 segundos e permitem que autoridades emitam ordens temporárias para remoção rápida dos veículos de áreas de emergência, com saída obrigatória em até dois minutos.
Apesar das dificuldades, os primeiros socorristas expressam desejo de continuar colaborando com as empresas de veículos autônomos para garantir o sucesso e a segurança da tecnologia nas ruas.