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Professores na Inglaterra alertam para perda de habilidades críticas dos alunos devido ao uso da IA

2 de abril de 2026
02:51
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Professores na Inglaterra alertam para perda de habilidades críticas dos alunos devido ao uso da IA

Declínio nas habilidades essenciais entre alunos do ensino médio

Uma pesquisa recente realizada com professores do ensino médio na Inglaterra aponta que o uso crescente da inteligência artificial (IA) está impactando negativamente as habilidades fundamentais dos estudantes, como escrita, resolução de problemas e pensamento crítico. Cerca de dois terços dos educadores entrevistados relataram uma diminuição significativa nessas competências entre os alunos.

Além disso, os professores observaram que muitos estudantes deixaram de se preocupar com a ortografia, confiando excessivamente na tecnologia de reconhecimento de voz para texto, que automaticamente corrige palavras e frases enquanto digitam ou falam.

Impactos percebidos pelos educadores

Em uma enquete conduzida pela National Education Union (NEU), representantes da categoria expressaram preocupações sobre a influência da IA na aprendizagem. Um professor destacou que "os alunos estão perdendo habilidades básicas — pensamento, criatividade, escrita e até a capacidade de manter uma conversa". Outro afirmou que "a IA está destruindo o verdadeiro significado do aprendizado — resolução de problemas, pensamento crítico e esforço colaborativo".

Um terceiro educador, que preferiu manter o anonimato, comentou que "as crianças não sentem mais a necessidade de saber soletrar, já que o reconhecimento de voz substitui esse conhecimento".

Políticas governamentais e resistência docente

O governo britânico anunciou em janeiro um plano para introduzir ferramentas de tutoria baseadas em IA, com a meta de oferecer suporte individualizado a até 450 mil alunos em situação de vulnerabilidade. A secretária de Educação, Bridget Phillipson, afirmou que essas ferramentas podem democratizar o acesso ao ensino personalizado, antes restrito a poucos privilegiados.

Entretanto, a pesquisa da NEU revelou que 49% dos 9 mil professores pesquisados são contra o uso de tutores de IA, enquanto apenas 14% apoiam a iniciativa. Entre as principais preocupações estão o risco de redução de custos às custas da qualidade do ensino e a perda do valor das habilidades docentes tradicionais.

Alguns educadores ressaltam que alunos que necessitam de tutoria geralmente demandam mais do que apoio acadêmico, incluindo interação humana para desenvolver habilidades sociais e evitar o isolamento.

Uso da IA pelos próprios professores e falta de regulamentação

Apesar da resistência, 76% dos professores afirmam utilizar IA em suas atividades diárias, um aumento em relação aos 53% do ano anterior. As principais aplicações são a criação de materiais didáticos (61%), planejamento de aulas (41%) e tarefas administrativas (38%). Apenas 7% utilizam IA para correção de provas.

No entanto, quase metade das escolas não possui políticas claras sobre o uso da IA por professores ou alunos, e 66% não têm regras específicas para estudantes. Falta treinamento adequado para o uso da tecnologia, o que, segundo relatos, tem resultado em trabalhos de qualidade inferior.

Um dos entrevistados destacou que, se usada corretamente, a IA pode ser uma ferramenta valiosa, mas é fundamental que haja regulamentação, orientação, treinamento e políticas institucionais para seu uso seguro e eficaz.

Posicionamento das autoridades e desafios futuros

Daniel Kebede, secretário geral da NEU, afirmou que o pensamento independente é essencial para a aprendizagem, mas a dependência excessiva da IA está afetando essa habilidade nos alunos. Ele alerta que o governo corre riscos ao implementar tutores de IA sem compreender plenamente seus impactos.

Por sua vez, um porta-voz do governo ressaltou que a missão é romper a relação entre origem social e sucesso educacional, e que as ferramentas de IA podem ampliar o suporte personalizado. Também destacou que nenhuma tecnologia deve substituir os fundamentos do conhecimento e do pensamento disciplinar, mas que é imprescindível preparar os jovens para um mundo digitalizado.

O governo planeja, por meio de seu white paper sobre escolas, garantir que a IA seja utilizada de forma segura, crítica e responsável, para que todos os jovens possam alcançar seu potencial.

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