Projeto de Bernie Sanders propõe pausa na construção de data centers para garantir segurança da IA nos EUA

O senador americano Bernie Sanders anunciou na terça-feira (25) a apresentação de um projeto de lei que propõe uma moratória nacional na construção e ampliação de data centers dedicados à inteligência artificial (IA). A medida visa dar tempo para que o Congresso americano legisle sobre a segurança e os impactos ambientais da IA antes que a expansão desses centros continue.
Objetivos da moratória e impacto ambiental
A proposta de Sanders determina que a paralisação se mantenha até que sejam aprovadas leis que garantam a proteção da população contra os riscos associados à inteligência artificial. Entre as preocupações destacadas estão os efeitos ambientais, como o aumento do consumo de energia elétrica e o impacto sobre recursos hídricos, além dos custos elevados nas contas de luz para consumidores residenciais e comerciais.

O projeto define como data centers ligados à IA aqueles com carga energética superior a 20 megawatts, e prevê que a moratória só será encerrada quando houver legislação que impeça danos ambientais, financeiros e sociais decorrentes dessas instalações.
Proteção social e distribuição de riquezas
Além da questão ambiental, o texto enfatiza a necessidade de regulamentações que protejam os direitos civis, a privacidade e o bem-estar dos trabalhadores, evitando que a IA prejudique esses grupos. Outro ponto importante é a exigência de que a riqueza gerada pela IA seja compartilhada com a população dos Estados Unidos, combatendo a concentração de ganhos em poucos bilionários do setor tecnológico.
Reação política e mobilização progressista
O projeto de Sanders é acompanhado por uma iniciativa paralela na Câmara dos Deputados, que será apresentada pela deputada Alexandria Ocasio-Cortez nas próximas semanas. Embora a aprovação da moratória seja improvável diante do apoio do governo Trump ao avanço da IA e do forte lobby da indústria, a proposta marca uma linha clara para os progressistas que buscam regulamentar a tecnologia.
Desde dezembro de 2025, quando Sanders defendeu a moratória pela primeira vez, mais de 230 grupos progressistas enviaram uma carta ao Congresso pedindo a suspensão nacional da construção de data centers, citando a rápida e pouco regulada expansão que ameaça a segurança econômica, ambiental e hídrica das comunidades.
Resistência local e contexto nacional
Nos Estados Unidos, dezenas de cidades e condados já implementaram moratórias locais para barrar novos data centers, motivados por preocupações com o aumento das contas de energia e impactos ambientais. Em 2026, pelo menos doze estados introduziram propostas semelhantes em seus legislativos, incluindo estados como Virgínia, Geórgia, Nova York e Flórida.

O debate sobre a construção de data centers também ganhou força entre políticos republicanos, como os senadores Josh Hawley e Richard Blumenthal, que propuseram medidas para proteger consumidores contra aumentos nas tarifas de eletricidade relacionados a esses empreendimentos.
Posicionamento da indústria e do governo
Em março, representantes das maiores empresas de tecnologia, como Amazon, Microsoft, Meta e Google, reuniram-se na Casa Branca para assinar um acordo não vinculante que visa assegurar que os data centers assumam os custos totais de energia e infraestrutura, protegendo os consumidores contra aumentos nas contas.
Apesar do compromisso público, especialistas apontam que o acordo tem efeito limitado e que a responsabilidade por repassar custos aos consumidores está fora do controle direto das empresas e do governo. Por outro lado, a indústria alerta que uma moratória prolongada poderia reduzir a capacidade da internet, afetar serviços essenciais, eliminar empregos e diminuir receitas fiscais locais.
Repercussão e próximos passos
Sanders afirmou que a moratória é necessária para garantir que a IA beneficie as famílias trabalhadoras dos Estados Unidos, e não apenas os bilionários do setor tecnológico. O projeto também proíbe a exportação de hardware de computação para países que não tenham leis similares de proteção.
Enquanto o Congresso debate o tema, a mobilização em nível local e estadual continua crescendo, refletindo a preocupação crescente da população com os impactos ambientais e sociais da expansão da inteligência artificial e de sua infraestrutura.