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Regulamentação de IA precisa incluir sustentabilidade para minimizar danos ambientais

2 de abril de 2026
07:56
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Regulamentação de IA precisa incluir sustentabilidade para minimizar danos ambientais

Mais de 200 leis foram criadas para regular a inteligência artificial (IA) em mais de 100 países, focando principalmente em questões como privacidade, viés, desinformação, segurança e cibersegurança. No entanto, um aspecto crucial tem sido negligenciado: os impactos ambientais da IA.

O impacto ambiental da IA

A indústria da IA demanda grandes centros de dados que consomem muita energia e água, gerando emissões significativas de gases de efeito estufa, poluição e perda de habitats naturais. Esse impacto ocorre em todas as fases do ciclo de vida da IA, desde a fabricação dos componentes até o descarte dos equipamentos.

Imagem relacionada ao artigo de The Conversation AI
Imagem de apoio da materia original.

Os chips gráficos (GPUs) usados para treinar modelos de IA são complexos e intensivos em energia, carbono e água. A extração dos elementos de terras raras necessários para esses componentes pode contaminar solos e águas, além de destruir florestas e habitats naturais.

O treinamento de modelos grandes, como o GPT-3 da OpenAI, consumiu aproximadamente 700 mil litros de água só para geração de energia e resfriamento dos data centers em 2025. Apesar dos avanços em eficiência energética, o aumento do uso e do tamanho dos modelos faz com que o consumo total e as emissões continuem crescendo.

Legislação atual e suas limitações

O AI Act da União Europeia, em vigor desde 1º de agosto de 2024, é a primeira lei abrangente sobre IA no mundo. Ele reconhece os impactos ambientais e exige que os fornecedores de IA divulguem dados estimados de consumo energético quando solicitados pelo AI Office, órgão criado dentro da Comissão Europeia. Além disso, prevê a elaboração de códigos de conduta para minimizar impactos ambientais, embora isso não seja obrigatório.

Porém, essa legislação é centrada no ser humano, destacando a IA como uma tecnologia para aumentar o bem-estar humano, sem tratar diretamente da sustentabilidade como prioridade. Já o Reino Unido não possui uma lei específica para IA, e seu documento de consulta de 2023 não inclui sustentabilidade entre os focos da futura regulamentação.

O que precisa mudar na regulamentação da IA

Para proteger o planeta diante da expansão acelerada da IA, é urgente integrar a sustentabilidade nas leis e políticas. Isso começa com a transparência total dos desenvolvedores de IA sobre o consumo de energia, água, emissões de carbono e uso de materiais durante a produção e operação dos sistemas.

Com esses dados, será possível estabelecer metas e limites para eficiência energética, emissões e uso de recursos hídricos. Algumas propostas concretas incluem:

  • Treinar modelos em redes elétricas de menor intensidade de carbono ou em data centers com menor consumo de água.
  • Implementar avisos claros para os consumidores sobre as emissões de carbono e o uso de água para cada consulta ou operação gerada pela IA.
  • Criar sistemas de rotulagem para IA, semelhantes aos selos de eficiência energética da UE, classificando os sistemas de IA conforme seu impacto ambiental, como uma espécie de "energy star" para IA.
  • Estabelecer certificações sociais e ambientais para produtos de IA que incentivem escolhas conscientes.
  • Oferecer incentivos fiscais e financiamentos para que empresas de tecnologia adotem práticas mais sustentáveis.

Impacto prático para usuários e consumidores

Essas mudanças permitirão que consumidores, empresas e governos façam escolhas mais informadas sobre o uso de tecnologias de IA, equilibrando inovação e responsabilidade ambiental. O desenvolvimento sustentável da IA pode ser um diferencial competitivo e uma exigência ética para a indústria.

Links úteis para aprofundamento