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Science Corp. de Max Hodak prepara implantação do primeiro sensor bio-híbrido no cérebro humano

14 de abril de 2026
14:45
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Science Corp. de Max Hodak prepara implantação do primeiro sensor bio-híbrido no cérebro humano

Startup liderada por ex-Neuralink avança para testes clínicos com sensor cerebral inovador

A Science Corporation, empresa fundada por Max Hodak — ex-presidente e cofundador da Neuralink — está se preparando para implantar seu primeiro sensor bio-híbrido no cérebro humano, marcando um avanço significativo na interface cérebro-computador (BCI). O dispositivo promete integrar neurônios cultivados em laboratório com componentes eletrônicos para criar uma conexão mais natural e menos invasiva com o tecido cerebral.

Uma abordagem bio-híbrida para interfaces cérebro-computador

Ao contrário dos métodos tradicionais que utilizam eletrodos de metal inseridos diretamente no tecido cerebral, a Science Corp. aposta em uma solução que combina eletrônica com neurônios biológicos cultivados em laboratório. Esses neurônios são capazes de se integrar de forma orgânica aos neurônios do paciente, formando uma ponte entre o cérebro e o dispositivo eletrônico.

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Imagem de apoio da materia original.

Segundo o Dr. Murat Günel, chefe do Departamento de Neurocirurgia da Yale Medical School e conselheiro científico da Science Corp., essa abordagem é inovadora e pode superar limitações das tecnologias atuais, que podem causar danos cerebrais e perda de desempenho dos dispositivos ao longo do tempo.

O dispositivo e seus potenciais usos clínicos

O sensor desenvolvido pela empresa contém 520 eletrodos de gravação em uma área do tamanho de uma ervilha e será implantado sobre o córtex cerebral, dentro do crânio, mas sem penetrar diretamente no tecido cerebral — diferente do dispositivo da Neuralink. A primeira fase dos testes humanos não envolverá os neurônios embutidos, focando inicialmente na segurança e eficácia da medição da atividade cerebral.

Os primeiros pacientes-alvo serão aqueles que já necessitam de cirurgias cerebrais extensas, como vítimas de AVC que precisam da remoção de parte do crânio para aliviar o inchaço cerebral. Nessas cirurgias, o sensor poderá ser implantado para monitorar a atividade cerebral e avaliar sua segurança.

Se bem-sucedido, o sensor poderá ser usado para diversas condições neurológicas, como:

  • Estimulação elétrica suave para promover a cura de células cerebrais ou da medula espinhal danificadas;
  • Monitoramento de pacientes com tumores cerebrais, com alertas precoces para crises convulsivas;
  • Tratamento de doenças progressivas como Parkinson, combinando estimulação elétrica com transplante de células para tentar deter a evolução da enfermidade.

Contexto da empresa e próximos passos

Fundada em 2021, a Science Corp. concluiu recentemente uma rodada Série C de financiamento de US$ 230 milhões, atingindo uma avaliação de US$ 1,5 bilhão. Seu produto mais avançado atualmente é o PRIMA, um dispositivo para restaurar a visão em pessoas com degeneração macular, tecnologia adquirida em 2024 e em fase final de aprovação regulatória na Europa.

O time científico, liderado pelo cofundador e diretor científico Alan Mardinly, é composto por cerca de 30 pesquisadores focados no desenvolvimento do sensor bio-híbrido e no cultivo de neurônios para diferentes aplicações terapêuticas. O Dr. Günel está auxiliando nas negociações com comitês de ética médica para a aprovação dos testes clínicos em humanos, que são esperados para começar, no melhor cenário, em 2027.

Implicações para o futuro das interfaces cérebro-computador

O avanço da Science Corp. representa uma nova direção para BCI, com potencial para superar as barreiras técnicas e biológicas que limitam as tecnologias atuais. A integração de componentes biológicos pode oferecer maior durabilidade, menor dano ao tecido cerebral e uma interface mais eficiente para comunicação entre cérebro e máquinas.

Além do tratamento de doenças neurológicas, a visão de Hodak inclui a possibilidade de aprimoramento humano, como a adição de novos sentidos ao corpo, abrindo caminhos para uma futura simbiose entre humanos e tecnologia.

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