Senador dos EUA propõe taxar data centers para mitigar perdas de empregos causadas pela IA

O avanço da inteligência artificial (IA) tem provocado preocupações crescentes sobre a perda de empregos, especialmente em cargos de entrada. Nos Estados Unidos, o número de vagas para essas posições caiu 35% desde 2023, enquanto grandes empresas de tecnologia enfrentam demissões em massa. Em meio a esse cenário, o senador Mark Warner (D-VA) apresentou uma proposta que pode influenciar o futuro da economia digital: taxar os data centers que sustentam a infraestrutura da IA e utilizar esses recursos para apoiar trabalhadores afetados pela transição tecnológica.
Contexto da preocupação com o impacto da IA no mercado de trabalho
Durante o Axios AI Summit em Washington, Warner compartilhou relatos sobre como avanços na IA já estão alterando setores tradicionais. Um investidor de risco mencionou que está reduzindo a zero seus investimentos em software devido ao progresso de modelos como o Claude, da Anthropic. Além disso, grandes escritórios de advocacia têm deixado de contratar jovens advogados, já que a IA consegue realizar tarefas que antes eram atribuídas a esses profissionais.

Apesar de dados de algumas empresas indicarem que a IA ainda não eliminou empregos de forma significativa, o temor é palpável e tem influenciado debates políticos e sociais.
Proposta de taxação dos data centers: uma "pound of flesh" para a comunidade
Warner sugere que a melhor forma de financiar a adaptação dos trabalhadores é por meio da tributação dos data centers, que são fundamentais para o funcionamento da IA. Ele pondera que outras alternativas, como taxar fabricantes de chips, empresas de modelos de linguagem ou grandes usuários das ferramentas de IA, seriam mais complexas. A ideia é direcionar a arrecadação para programas de requalificação profissional, incluindo treinamentos para novas profissões como enfermagem e capacitação em IA.
O senador destaca a necessidade de garantir que as comunidades que abrigam esses data centers recebam benefícios concretos, evitando impactos negativos como aumento da conta de água e energia. Ele cita o exemplo do Condado de Henrico, na Virgínia, onde a receita tributária oriunda de um data center foi usada para financiar um projeto de habitação acessível.
Resistência local e debates sobre moratória
Em diferentes estados dos EUA, cresce a resistência à instalação de novos data centers, motivada por preocupações com poluição sonora, impactos ambientais e aumento do custo de eletricidade. Parlamentares como o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez propuseram uma moratória para a construção dessas instalações.
No entanto, Warner discorda dessa abordagem, argumentando que uma paralisação beneficiaria países concorrentes, como a China, que avançariam mais rapidamente na área de IA. Para ele, é inevitável o crescimento dos data centers, e o foco deve ser em políticas que equilibrem desenvolvimento tecnológico e justiça social.
Repercussão pública e próximos passos
O sentimento negativo em relação à IA é crescente. Uma pesquisa recente da NBC News revelou que 46% dos eleitores americanos veem a IA de forma desfavorável, índice maior do que a desaprovação de órgãos como o Immigration and Customs Enforcement (ICE). Na Virgínia, debate-se a revogação dos incentivos fiscais para data centers, que atualmente representam uma perda de quase US$ 2 bilhões em receitas para estados e municípios.
Embora Warner ainda não tenha apresentado um projeto de lei formal, sua proposta ganha relevância diante do aumento da pressão pública para que o setor tecnológico contribua na mitgação dos impactos socioeconômicos da automação e da IA.