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Sistema Público de Saúde de Nova York encerra contrato com Palantir em meio a controvérsias no Reino Unido

26 de março de 2026
15:48
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Sistema Público de Saúde de Nova York encerra contrato com Palantir em meio a controvérsias no Reino Unido

O sistema público de hospitais de Nova York anunciou que não renovará seu contrato com a Palantir, empresa americana especializada em análise de big data e inteligência artificial (IA). A decisão ocorre em meio a uma crescente pressão de ativistas e a um aumento da fiscalização sobre os contratos da Palantir com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) e o governo britânico.

Contexto e motivação da decisão em Nova York

Dr. Mitchell Katz, presidente do maior sistema municipal de saúde pública dos Estados Unidos, testemunhou perante o Conselho Municipal de Nova York que o contrato com a Palantir expirará em outubro de 2026. Segundo Katz, o acordo, que tinha como foco a recuperação de valores para cobranças de seguros, foi sempre planejado para ser de curto prazo. Ele também destacou a existência de uma "barreira absoluta" que impede a Palantir de compartilhar informações com o Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), afirmando que não houve incidentes relacionados.

Desde novembro de 2023, o NYC Health + Hospitals pagou quase US$ 4 milhões à Palantir para que a empresa revisasse notas sobre a saúde dos pacientes e ajudasse a garantir que os hospitais recebessem mais recursos públicos por meio de programas como o Medicaid. O contrato também permitia, com autorização da agência da cidade, que a Palantir "desidentificasse" informações protegidas dos pacientes para usos que vão além da pesquisa.

O sistema de saúde pública de Nova York informou que irá migrar para sistemas desenvolvidos inteiramente internamente, sem compartilhamento de dados ou uso das aplicações da Palantir após o término do contrato.

Expansão da Palantir no Reino Unido e controvérsias

Enquanto Nova York se afasta da Palantir, a empresa enfrenta escrutínio semelhante no Reino Unido, onde possui um contrato de £330 milhões com o NHS. Autoridades de saúde britânicas demonstram preocupação de que a polêmica possa atrasar a implementação nacional da tecnologia da Palantir, apesar dos esforços do líder trabalhista Keir Starmer para acelerar o processo.

Até o verão de 2025, menos da metade das autoridades de saúde do Reino Unido havia começado a usar a tecnologia da Palantir, devido a preocupações da comunidade médica e da sociedade civil. Um relatório de 12 de março da organização Medact, dedicada à justiça em saúde, alertou que o software da Palantir poderia facilitar abusos de poder baseados em dados, como operações semelhantes às realizadas pelo ICE nos EUA. A Palantir negou essas acusações, afirmando que tais usos seriam ilegais e violariam o contrato.

Além do NHS, a Palantir também mantém contratos com o Ministério da Defesa britânico e tenta expandir sua atuação no país, inclusive buscando acesso a dados financeiros sensíveis por meio da Financial Conduct Authority (FCA), órgão regulador do setor financeiro. Essa iniciativa provocou reações negativas de parlamentares e pedidos para que o governo suspenda o contrato.

Desafios e riscos relacionados à privacidade dos dados

Especialistas em privacidade de dados entrevistados pelo The Guardian alertam para os riscos de permitir que a Palantir acesse dados desidentificados dos pacientes para finalidades além da pesquisa, especialmente considerando seu amplo acesso a registros governamentais e a capacidade de cruzar grandes conjuntos de dados. A professora de Direito Sharona Hoffman destacou que a desidentificação não é mais uma garantia eficaz, principalmente com o avanço da IA que facilita a reidentificação de informações.

Outro professor, Ari Ezra Waldman, enfatizou a preocupação com o uso de dados de populações vulneráveis por empresas como a Palantir, sobretudo diante da cláusula contratual que permite usos para "finalidades que não sejam de pesquisa", sugerindo que o governo não impôs restrições suficientes ou desconhece os riscos envolvidos.

Pressão de ativistas e repercussão internacional

Apesar das garantias do sistema de saúde de Nova York sobre a segurança dos dados, grupos ativistas locais e internacionais comemoram a decisão como uma vitória. Organizações como American Friends Service Committee, sindicatos de enfermeiros e o movimento Boycott, Divestment, and Sanctions (BDS) lideraram campanhas para impedir contratos públicos com a Palantir, alegando que a mesma tecnologia usada para operações de imigração nos EUA não deveria ser aplicada em hospitais.

No Reino Unido, movimentos como "No Palantir in our NHS" esperam que a decisão de Nova York inspire o NHS a cancelar seu contrato bilionário com a Palantir. Organizações como Medact e Anistia Internacional UK reforçam o chamado para o fim da parceria, destacando os riscos à privacidade e à segurança dos dados dos pacientes.

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