General Intuition levanta US$ 320M com aposta de US$ 2,3 bi: videogames podem treinar agentes de IA para o mundo real

A General Intuition, startup fundada por Pim de Witte, de apenas 31 anos, acaba de levantar US$ 320 milhões com avaliação de US$ 2,3 bilhões — uma das maiores rodadas do ano em IA. A aposta: usar milhões de horas de gameplay de videogames para treinar agentes de IA com algo próximo da intuição humana.
Videogame como escola de agentes
A abordagem da General Intuition é radicalmente diferente do treinamento tradicional de IA. Em vez de depender apenas de texto ou imagens estáticas, a empresa usa dados de ação: registros de quais botões os jogadores pressionam e quando, extraídos de milhões de horas de clipes de gameplay enviados à plataforma Medal — startup anterior de de Witte.
"Temos um modelo único que pode responder a informações na tela do Fortnite e agir, mas também a dinâmicas do mundo real, incluindo robôs", explica de Witte.
O ingrediente secreto não é a filmagem do jogo em si, mas os rótulos de ação embutidos nesses clipes. A maioria dos concorrentes, segundo de Witte, está treinando apenas com dados de vídeo passivo — muito menos eficaz para ensinar um agente a interagir com o mundo.
Do Fortnite ao robô quadrúpede
Durante a visita da TechCrunch ao laboratório de P&D em Nova York, um robô quadrúpede se aproximou da repórter usando o mesmo "cérebro" que controlava um agente jogando videogame por 100 horas seguidas.
O modelo da General Intuition é capaz de generalizar de gameplay para simulação e para robótica física — o santo graal dos world models. Em demonstrações, a jornalista Rebecca Bellan testou um ambiente simulado gerado quadro a quadro (sem engine de jogo tradicional) e, ao bater em paredes, o agente parava — havia aprendido com milhões de horas de gameplay que paredes são sólidas.
US$ 454 milhões no total, liderado por Khosla
A rodada foi liderada pela Khosla Ventures, com participação de General Catalyst, Jeff Bezos, Eric Schmidt, Nico Rosberg e do pesquisador Fei-Fei Li. O total captado pela startup chega a US$ 454 milhões.
A maior parte do investimento irá para escalar capacidade computacional. A General Intuition fechou acordo com a CoreWeave e planeja focar no pré-treinamento da próxima versão do modelo.
Vinod Khosla compara o momento à emergência do raciocínio em LLMs: "Em world models, acho que o salto quântico é a emergência da intuição na IA — uma intuição semelhante à humana."
Posição ética: sem autonomia letal
De Witte passou três anos no setor humanitário, incluindo trabalho com Médicos Sem Fronteiras. A empresa traçou uma linha clara: nenhuma aplicação de autonomia letal.
"Não queremos ser parte da escalada do sistema", afirma. "Se eu dissesse 'estamos fazendo autonomia letal', o que você acha que aconteceria em outros países?"
Plataforma Nerve: gamers ganham dinheiro
A General Intuition lançou recentemente a Nerve, um marketplace de trabalho que permite a gamers ganhar dinheiro usando seus setups existentes. Quem se inscreve começa com rotulagem de dados e pode evoluir para papéis mais qualificados.
O plano: ser a próxima OpenAI dos world models
De Witte quer que a General Intuition seja um provedor de modelos como Anthropic ou OpenAI — uma plataforma que outros usam para construir aplicações. Já tem clientes pilotos e planeja abrir sua API para testar casos de uso como testes de robôs em gêmeos digitais de fábricas e simulações de direção autônoma.
"Não vamos construir uma empresa de carros autônomos", diz de Witte. "Vamos tornar 10 vezes mais fácil para a próxima pessoa construir uma."
Enquanto o primeiro teste físico foi com um robô quadrúpede, a empresa também testou drones e aplicações em jogos de direção. "Funciona em qualquer coisa que você possa controlar com um controle de videogame ou teclado e mouse", resume de Witte.



